sexta-feira, abril 30, 2010

História dos quadrinhos


O Monstro do Pântano


No início da década de 1980 o terror já era um gênero decadente no mercado de quadrinhos dos EUA. Depois do auge das revistas do gênero na década de 1970, os gibis do gênero vendiam cada vez menos. Seria uma revista da DC Comics, contando com textos do gênio Alan Moore que levaria os quadrinhos de horror a um novo patamar, provocando inclusive a criação de um selo voltado apenas para leitores adultos, a Vertigo.
O personagem surgiu na revista House of Secrets 92, de abril de 1971, criação do roteirista Len Wein e do desenhista Berni Wrightson. Contava a história vitoriana de um homem, Alex Olsen, casado com uma linda mulher, cujos experimentos científicos são sabotados por um colega, que se apaixonou por sua esposa. Os produtos químicos, em junção com as plantas do pântano, fazem com que ele se transforme num monstro. Ele volta para se vingar, mas descobre que não poderá mais voltar a ser humano e foge para o pântano, sob o olhar apavorado de sua esposa. Wrightson  desenhou tudo em uma semana, usando fotos de amigos para compor os personagens.Era uma história fechada, mas fez tanto sucesso que surgiu a ideia de criar um gibi com o personagem.
O personagem foi atualizada e alguns nomes mudados. Alex Olsen virou Alec Holand. Sua esposa tornou-se Linda Holand. Na nova versão, o casal de cientista está pesquisando uma fórmula restauradora capaz de acelerar o crescimento das plantas, o que poderia acabar com a fome do mundo. Mas a experiência é sabotada, Linda morre e Alec se transforma em um monstro sempre em busca de recuperar a sua humanidade perdida.
A revista foi sucesso por algum tempo e lançou personagens importantes, como o vilão Anton Arcane e sua sobrinha Abe, mas logo a fórmula se saturou e as vendas caíram. Alguns anos depois, uma nova equipe criativa, composta pelo roteirista Marty Pasko e o desenhista Tom Yeats assumiu o gibi, sem sucesso. A revista já estava para ser cancelada quando o editor, Len Wein, resolveu chamar um novo talento inglês, Alan Moore, para assumir o roteiro.
Alan Moore não só conseguiu revitalizar o personagem como o transformou em um dos maiores sucessos de público e de crítica, influenciando absolutamente a forma como os leitores viam os quadrinhos de terror.
Para começar, Moore fez a mudança significativa no personagem. O mote procura da humanidade foi abandonado quando o Monstro descobriu que não era Alec Holand, mas um elemental que se apropriara das memórias do cientista. Com isso, as possibilidades se ampliaram muito, permitindo que o personagem pudesse viajar para qualquer lugar do planeta apenas deixando sua casca morre em um ponto e renascendo em outro.
Além disso, Moore incorporou à série um discurso ecológico e libertário, denunciando a destruição da natureza e a cobiça dos governos e grandes corporações. O auge da inovação foi quando o Monstro do Pântano e Abe fizeram amor graças a uma raiz alucinógena.
A revista tinha também desenhos detalhistas e apavorantes de Stepehn Bissete e John Totleben, que posteriormente seriam substituídos por Rich Veitch e Alfredo Alcala.
Mas a grande atração da revista era, sem dúvida, o texto de Moore, que flertava com a poesia e a filosofia. Moore chegou a afirmar que a revista era o seu jeito de devolver a poesia às pessoas. Até Moore, a maioria dos roteiristas usava o texto para apenas ajudar a contar a história. Ele levou o texto a patamares muito mais amplos, usando recursos estilísticos totalmente inovadores. Além do texto poético, as histórias contavam com narrativas não lineares, com flash backs ou com a mesma situação contada por vários personagens. Parecia que a cada número o roteirista inglês experimentava uma nova maneira de contar uma história.
Como resultado, muita gente que tinha parado de ler quadrinhos voltou a eles. Moore conquistou para os gibis os leitores mais velhos e intelectualizados, que seriam a base do selo Vertigo.

quarta-feira, abril 28, 2010

Diplomas do Paraguai não têm validação automática

O Ministério da Educação renovou um alerta contra os mestrados e doutorados que estão sendo oferecidos por empresas brasileiras em Países do Mercosul, especialmente no Paraguai. Na nota, o ministério alerta para o fato que não existe nenhum tipo de validação automática para diplomas, ao contrário do marketing feito pelas empresas, e classifica de "processo de mercantilização e ganância sobre o ensino pós-graduado no Brasil" as tentativas de cooptar brasileiros para programas de qualidade irregular.

A proliferação de sistemas de pós-graduação em universidades do Paraguai levou o MEC a fazer o alerta. Empresas estão levando brasileiros para fazer doutorados e mestrados naquele País, em cursos que têm aulas apenas em janeiro e julho e chegam a custar R$ 400 por mês. Algumas das empresas vendem aos alunos a idéia de que os diplomas são automaticamente válidos no Brasil, porque o País assinou tratados de cooperação no Mercosul, o que não é verdade.

"Os acordos de cooperação, eventualmente assinados pelo Brasil, reconhecendo os títulos obtidos em alguns países, são exclusivamente para fins de prosseguimento de estudos", diz a nota. Isso significa que um estudante com um desses títulos de mestre pode usá-lo para tentar a admissão em um doutorado, por exemplo, mas não vale nada para efeitos de trabalho ou mesmo dar aulas. Leia mais

Japão lançará iate espacial movido a partículas solares

O Japão lançará um iate espacial movido a partículas solares que saltarão de suas velas em formato de pipa, informou nesta terça-feira (27) Jaxa (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial).
Um foguete levando o Ikaros - acrônimo, em inglês, de nave-pipa interplanetária acelerada pela radiação do sol - será lançado do centro espacial Tanegashima, no sul do Japão, em 18 de maio, disse Yuichi Tsuda, especialista em sistemas espaciais da Jaxa. Leia mais

Tá ficando feio no lugar bonito

É, a coisa tá ficando feia no lugar bonito do bairro do Congós. Para começar, o local virou uma perturbação pública, já que, toda vez que tem jogo de futebol, colocam aparelhagem de som. Eu nunca consegui entender porque, para jogar futebol, é necessário ouvir melody. O som alto tem atraído bandidos e, num local que antes era tranquilo, hoje se vê assaltos e brigas de gangues.
Ontem tivemos uma outro exemplo de como o lugar bonito, ao invés de melhorar o local, está piorando. Numa partida de futebol durante a noite, um espírito de porco chutou a bola no transfomador, queimando-o. Como resultado, boa parte do bairro ficou sem energia durante quase toda a noite. A energia só voltou porque os técnicos da CEA trabalham durante a chuva forte para trocar o equipamento.
As perguntas que não querem calar:
Vale a pena criar um local bonito e deixá-lo a Deus dará?
Quem vai pagar o prejuízo do transformador queimado?

terça-feira, abril 27, 2010

O trailer de Kick-ass

Glauco: culpado ou inocente?

Até a década de 1980, nos casos em que maridos matavam suas esposas, os julgamentos acabavam sendo focados nas vítimas. Os advogados de defesa pretendiam mostrar que a vítima não prestava e, portanto, merecia ser morta. É o princípio da "legítima defesa da honra". A lógica era: quem merecia morrer já morreu, então vamos soltar esse pobre homem, que matou porque era o seu dever.

Uma aberração jurídica, esse argumento tem sido ressuscitado pelo advogado de defesa de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco. A linha da defesa é que Cadu era um garoto feliz e carinhoso, que nunca revelou sinais de violência antes de começar a frequentar a igreja Céu de Maria, dirigida por Glauco. Depois desse episódio, ele teria se transformado em um monstro, um louco, que rezava para as plantas e não dizia coisa com coisa. O máximo que o pai do assassino, certamente orientado pelo advogado, admite sobre o filho é que, antes de Cadu ter contato com o chá do Santo Daime, ele era indeciso sobre a profissão que iria seguir. Fora isso, era um santo. O fato dele ser usuário de drogas, ter passagem pela polícia por tráfico, ter abandonado três cursos universitários e não ter qualquer ocupação não impede a defesa de pintá-lo como santo que virou demônio depois de entrar para a igreja dirigida por Glauco. Essa versão da história foi comprada pela TV Record e pela Veja.



A matéria da Record fez questão de começar a matéria sobre o assunto mostrando fotos de Cadu na infância, feliz e carinhoso com a família. Após a entrada na igreja Céu de Maria, as fotos escolhidas foram aquelas que distorciam seu rosto ou a imagem dele preso, como um animal sem raciocínio. De tempos em tempos, em momentos adequados, fotos do garoto feliz e carinhoso eram intercaladas pelas imagens de Cadu preso. Uma narração em off, dizendo que o rapaz mudou depois que entrou na igreja Céu de Maria, ilustrada pelas duas imagens contrastantes passam a informação melhor do que outra coisa. É como aqueles comerciais do antes e depois, sendo que nesse caso o sentido é oposto: se você for um santo, irá se tornar um louco assassino se entrar para o Daime.

A intenção é óbvia. Não é segredo que a Record pertence à Igreja Universal, a quem muito interessa criticar e, se possível, destruir uma igreja rival. Na lógica capitalista da Universal, toda outra igreja é uma concorrente e deve ser tratada como tal.


A revista Veja, que sempre se posicionou contra a liberação do chá aiuasca, tem comprado a versão do advogado com recibo e tudo. "Permitir que portadores de psicoses como a esquizofrenia bebam o chá da seita Santo Daime equivale a jogar gasolina sobre uma casa em chamas. Tudo indica que foi exatamente o que os seguidores da seita fizeram durante os três anos em que Cadu frequentou o local", diz a matéria publicada no dia 21 de março.

Glauco, como dirigente da igreja Céu de Maria, seria culpado pela situação: "Glauco foi, sim, solicitado a não mais ministrar o alucinógeno a Cadu ainda em 2007. Por descuido ou desconhecimento acerca do estado de saúde do rapaz, ele não atendeu ao pedido". Tanto a Record quanto a Veja dão a entender, embora não declaradamente, que Cadu teria cometido os crimes sob efeito do chá do Daime.

Resumo da ópera: quem deveria morrer, já morreu, agora vamos tratar o Cadu, única vítima dessa história.

Essa versão, no entanto, tem diversas falhas.

Para começar, a última vez que Cadu bebeu o chá foi no ano novo, quase três meses antes dos assassinatos. Não existe substância que permaneça no organismo por tanto tempo.

A outra linha de raciocínio é de que o chá teria despertado em Cadu uma esquizofrenia latente que o teria levado a fazer tudo o que fez. Para começar, ignoram totalmente o fato dele já usar drogas antes de entrar para a igreja Céu de Maria. Por que as drogas não despertaram a esquizofrenia?

Mas, mesmo que admitamos que Cadu se tornou louco após tomar o chá, a versão parece estranha.

Eu tenho um amigo esquizofrênico. Começou a frequentar a minha casa ainda muito jovem, pois queria ser roteirista de quadrinhos. Pressionado pela família, estudou desesperadamente para o vestibular, passou em primeiro lugar, mas acabou desenvolvendo uma esquizofrenia, já latente, que despertou por causa do stress. Desde então eu o tenho acompanhado, de tempos em tempos. Graças ao tratamento, ele não evoluiu para a fase mais severa da doença. Minha experiência com esse garoto me diz o seguinte: ele até seria capaz de matar, no meio de uma crise, mas não seria capaz de planejar um assassinato e depois planejar uma fuga. A pessoa com esquizofrenia vive numa tal situação de alheamento que mal consegue sair de casa. Não consegue pegar ônibus. Não consegue muitas vezes nem lembrar onde mora. Certa vez encontrei-o na rua, em crise, e tive que levá-lo em casa, pois ele não conseguia voltar sozinho.

O raciocínio de Cadu não é de esquizofrênico. Ele passou meses vendendo maconha para comprar a arma com a qual mataria Glauco. Escolheu a melhor arma, comprou bastante munição... planejou passo a passo os assassinatos. Após o crime, fugiu e passou horas planejando como fugiria. Sua ideia era roubar um carro, fugir para o Paraguai, ficar lá até a poeira baixar e depois voltar para matar a viúva de Glauco. Seguiu o plano à risca e só não conseguiu chegar ao Paraguai porque foi parado por uma patrulha, que percebeu que o carro era roubado. Preso, se nega a dizer quem lhe vendeu a arma. O delegado que o prendeu diz que ele parece mais um criminoso normal do que um esquizofrênico. O delegado que investiga o caso em Sâo Paulo diz que "Ele estava consciente. [...] Ele foi muito frio".

Tal frieza de raciocínio não é de quem sofre de esquizofrenia, mas lembra muito o comportamento de um psicopata, que sabe o que está fazendo e planeja passo a passo seus atos. Não é a primeira vez que um psicopata tenta se passar por doido para fugir da pena e continuar matando. Kenneth Bianchi, o estrangulador de Los Angeles, tentou convencer a opinião pública de que tinha dupla personalidade antes de ser desmascarado por uma psicóloga (um filme interessante sobre o assunto é O estrangulador de Los Angeles, de Chris Fischer).

A cobertura da maior parte da mídia, em especial da Veja, revela um raciocínio preconceituoso: o Daime é visto com maus olhos por ser uma religião de índios e seringueiros, de "gentalha". No caso da Veja, há o agravante da revista seguir a cartilha norte-americana, segundo a qual todas as substâncias devem ser proibidas, menos as que dão lucro para as grandes empresas do Tio Sam (como o cigarro).

No final, o preconceito e a visão deturpada devem prevalecer. Cadu será visto como um inocente santo transformado em demônio por Glauco e sua igreja. Provavelmente será inocentado e estará livre para matar a viúva do desenhista, como já disse planejar. Que Deus nos proteja.

Texto originalmente publicado no Digestivo Cultural

sexta-feira, abril 23, 2010

Onde você quer dizer com isso?


Dizem que Vicente Mateus, o presidente do Corinthias, pediu para a secretária fazer uma convocação, marcando uma reunião para uma sexta-feira. A secretária perguntou:
- Sexta-feira se escreve com x ou com s?
E ele:
- Marca a reunião para a quinta.
Se fosse hoje, ele diria:
- Coloca onde.
E a frase ficaria algo como “A Diretoria do Corinthias marca uma reunião para a onde-feira”.
Parece piada, mas é exatamente o que estão fazendo com o “onde”. “Onde” é advérbio e se refere a lugar. Tem o sentido e “no lugar em que”. Mas essa palavra virou o coringa da língua portuguesa, sendo usado no lugar de qualquer palavra que a pessoa não se lembre no momento. Assim, ele tem substituído palavras tão díspares quanto “porém”, “pois”, “quando”, “assim”, “e”, “em que”, “no qual”,  “enquanto”, “todavia” e muitas outras.
Assim, temos frases como:
A teoria ONDE o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão ONDE estava com fome.
Eu gosto de pizza, ONDE vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem ONDE professores e alunos estão separados.
Compre o produto ONDE ganhe o cupom.
O atentado aconteceu ONDE o secretário estava de férias.

Se formos levar ao pé da letra, a interpretação dessas frases seria:

A teoria NO LUGAR EM QUE o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão NO LUGAR EM QUE estava com fome.
Eu gosto de pizza, NO LUGAR EM QUE vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem NO LUGAR EM QUE professores e alunos estão separados.
Compre o produto NO LUGAR EM QUE ganhe o cupom.
O atentado aconteceu NO LUGAR EM QUE o secretário estava de férias.

Na verdade, o que se queria dizer era:

A teoria NA QUAL o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão, POIS estava com fome.
Eu gosto de pizza, PORTANTO vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem NO QUAL professores e alunos estão separados.
Compre o produto E ganhe o cupom.
O acidente aconteceu ENQUANTO o secretário estava de férias.

Algumas vezes é quase impossível entender o que o autor queria dizer, como em:
Sempre com novas atração, ONDE nosso objetivo é sua opinião.


E o cúmulo quando encontrei o seguinte exemplo em um trabalho:
Faça sua pesquisa DONDE tire uma hipótese.

Além de ser gramaticalmente incorreto, o uso indevido do ONDE dificulta a compreensão do texto, prejudicando o processo de comunicação e ocasionando equívocos. Assim, da próxima vez em que for usar a palavra ONDE, pense bem e veja se é isso mesmo que você está querendo dizer. Na dúvida, troque o “onde” por “no lugar em que”. Se der certo, o onde está correto, caso não, coloque a palavra correta.

A vida imita a ficção

O livro O Cemitério é uma das melhores obras de terror de Stephen King. Nele, os animais de estimação enterrados num cemitério índio voltam à vida. Pois o jornal Mail OnLine anunciou que um gato voltou para a família 9 meses depois de morto e enterrado. Para ler, clique aqui.

quinta-feira, abril 22, 2010

Criatividade é isso aí!

Recebi por e-mail e não consegui descobrir o autor. Se alguém souber, por favor, deixe um comentário.

VII Congresso Ciència para a vida

Além do tema do congresso ser ótimo, a propaganda é excelente.

As capas da Veja

Chico Xavier - o filme

Fomos assistir Chico Xavier. Ótimo filme, com excelente roteiro e direção competente.
O roteiro, inteligente, mostra Chico em um dos pontos altos de sua vida: a participação no programa Pinga Fogo, da TV Tupi. Sua vida é contanda a partir dos flash backs provocados pelas perguntas dos entrevistadores. Essa estrutura de roteiro dá dinamismo à história evitando o tom de discurso que caracterizou, por exemplo, o filme Bezerra de Menezes.
Além disso, o filme conta com um trama paralela que ajuda a manter o interesse: a do diretor do filme, que perdeu o filho em um acidente com uma arma.
Indo de acordo com a personalidade de Chico, que dizem ter sido um piadista nato, a película também tem muito humor, até mesmo em cenas mais tensas, como naquela em que Chico diz para um assistente para usar o evangelho caso o espírito possesso em uma moça entrasse nele. O assistente não teve dúvidas: tascou-lhe a Bíblia na cabeça de Chico.
A direção de Daniel Filho também é muito segura. Um dos pontos interessantes é o uso econômico de efeitos especiais. Alguém comentou no Twitter que foi para economizar dinheiro da produção. Não acho. Hoje, CGI é a coisa mais barata e comum do mundo. Como diz Alan Moore, hoje vemos uma horda de ogros descendo uma coluna e bocejamos. O que falta hoje é um bom uso da linguagem do cinema, coisa que sobra em Chico Xavier. A quase ausência de efeitos computacionais faz com que, no momento em que eles apareçam, eles marquem a cena, como no primeiro momento em que Chico psicografa mensagens espirituais sob orientação de adeptos do espiritismo.
Um filme excelente, que segura a atenção até o último minuto. Nunca tinha visto a plateia inteira ficar sentada durante os créditos (que passa cenas reais de Chico no programa Pinga Fogo).

terça-feira, abril 20, 2010

Dark Marcos estreia coluna no Bigorna

O jornalista e roteirista de quadrinhos Dark Marcos é o autor da coluna Prata da Casa, que estreou hoje no site Bigorna.
Dark publicou em muitos fanzines e revistas independentes. Também escreveu várias histórias para a personagem Tianinha, a loirona devassa do quadrinhista Laudo Ferreira, todas publicadas na revista Sexy Total.
E articulista sobre o mundo dos quadrinhos, em especial no que se refere ao universo de super-heróis, tendo criado em 1990 o fanzine "Âmago", que durou 25 edições, e que agora virou blog, sempre atualizado.
Na coluna "Prata da Casa", Dark abordará e analisará a "Silver Age", famosa Era de Prata dos Quadrinhos (final dos anos 50 até final dos 60), de longe o período mais rico, criativo e divertido das HQs do gênero Super-Herói e Ficção Científica.Clique aqui para ler a coluna.

Restabelecida a democracia

No dia do golpe militar de 1964, O Globo proclamou: Restabelecida a democracia!

segunda-feira, abril 19, 2010

A imparcialidade da Veja

A Veja foi uma das publicações que ajudaram a divulgar aqui a teoria do espelho segundo o qual a matéria jornalística é apenas um espelho da realidade, um relato objetivo e imparcial. Como já foi demonstrado por vários autores, inclusive eu no livro Critérios de escolha de notícias no jornalismo amapaense, esse discurso de imparcialidade esconde um discurso ideológico: se o que estou falando é apenas o que aconteceu, você deve acreditar em mim. É para fugir disso que o jornalismo gonzo usa o humor e textos em primeira pessoa.
Apesar do discurso de objetividade, é muito fácil perceber que a Veja não tem nada de imparcial. Fácil perceber isso em duas capas deste mês, as duas sobre a chuva que castiga o sudeste. Na primeira, a culpa da calamidade é da natureza. Na segunda, a culpa é do governo e até o Cristo Redentor chora. Claro, o governador de São Paulo é Serra, candidato da Veja, e não ficava bem culpar Serra pelos estragos da chuva. No Rio, como a revista é contrária aos governantes, "culpar a chuva é demagogia".
 Imagens retiradas do blog Escrevinhador, que comenta: "O Cristo que chora na capa logo abaixo talvez chore pela morte dessa publicação que - um dia - já foi uma revista jornalística. Hoje, é um panfleto. Que usa mortes e tragédias para fazer política - com "p" minúsculo".

Sala de cinema é inaugurada no bairro Nova Esperança

O Cineclube “Cinemando na Amazônia” da Associação Brasileira de Documentáristas e Curta-metragistas do Amapá (ABD e C-AP) inagura sua sala de exibição no próximo sábado (24), as 17h, no Centro Comunitário Nova Esperança.
O Cineclube é um projeto de realização da ABD e C-AP, pelo Ministério da Cultura (MinC), através do Cine mais Cultura, que disponibilzou o equipamento para vários cineclubes do Brasil, com objeitvo de divulgar mais o cinema nacional e as produções de cada região, Estado ou cidade brasileira.
As exibições sempre terão um curta antes de um longa e priorizará os curtas independestes nacionais e a parceia com a Programadora Brasil. 
O Cinemando na Amazônia é um ponto de exibição da ABD e C-AP em parceria com Instituto Inova Amapá, que desenvolve projeto social com a Associação de Mulheres do Bairro Nova Esperança, em Macapá. A sala de cinema fica no Centro Centro Comunitário do bairro, tem capacidade para 200 pessoas.
Na primeira sessão serão exibidos filmes locais, como o curta “Arroto do Boitatá” e “Simãozinho Sonhador”. O curta é uma animação que conta a lenda do Boitatá, da professora Sandra Rocha. A curiosidade é que o filme foi realizado no municipio de Ferreira Gomes e contou com a população de lá, que participaram como atores e deram apoio a produção. O segundo filme, é documentário de Manoel do Vale, que faz parte do DocTV, é sobre a história o poeta de cordel, Simão Alves de Sousa.

Programação Cinemando na Amazônia 
DIA 24 de Abril 

Horário 17h

Filme 1 : Arroto do Boitatá

Filme 2 : Simãozinho Sonhador

Local: Centro Comunitário Nova Esperança

Discussão sobre o filme:

Convidados: Sandra Rocha e Manoel do Vale

Entrada: Franca


Informações:

Ana Vidigal 8131 4766

Pérola Pedrosa 8129 8489

Paulo 8126 7044

domingo, abril 18, 2010

Space Opera

Space Opera é o novo projeto do amigo Leo Santana com a editora Júpiter. Coloco a bela capa apenas para dar um gostinho, pois ainda demora um pouco para a revista ser lançada. O que posso dizer é que é uma revista de quadrinhos de ficção científica e que o número 1, além das HQs, tem um texto meu sobre o gênero space opera. 

Cuidado com o nome

Um dos elementos importantes para que um empreendimento dê certo é um bom nome. Abaixo alguns nomes de empresas que são um desastre (a maioria dos exemplos peguei do blog Nada a ver):

Música do dia: à janela, de Roberto Carlos

18 de abril: aniversário de Monteiro Lobato

Literatura é, antes de tudo, um veículo de idéias. Monteiro Lobato é uma prova disso. Tudo que ele escreveu foi na defesa de seus ideais. Primeiro mostrar ao Brasil o que realmente era o interior. Antes dele a imagem que se tinha do sertanejo era de um indivíduo bonito, alto, forte, galante. O homem do campo era tudo isso? Qual nada! O Jeca era pobre e doente, cheio de vermes. Um sujeito que não ganhava ânimo e passava o dia inteiro acocorado sobre os joelhos, pitando o inevitável cigarro de palha.
Depois foi o petróleo. Mesmo contra todos, Lobato insistia que o Brasil tinha petróleo. Escreveu artigos em jornais e até um livro desmascarando a campanha das companhias americanas para impedir que o Brasil descobrisse o seu petróleo.
Por último, cansado das gentes grandes, Lobato voltou-se para as crianças. Seus livros infantis não eram só divertidos. Eles partiam da idéia de que as crianças não podem ser tratadas como bobalhonas. Seus livros falavam de todos os assuntos, de filosofia a petróleo. Antes dele todas as histórias infantis terminavam com a inevitável lição de moral, que explicava a história, como se as crianças fossem incapazes de entenderem sozinhas. Lobato encorajava os pequenos a pensarem por si mesmos e dava um breca na lição de moral. “O mundo é dos espertos”, dizia.
Atualmente ele é lembrado quase que exclusivamente como um escritor de livros infantis. O que é uma pena. Lobato é famoso, mas pouco conhecido. Para conhecer um pouco mais desse  que foi um dos principais autores brasileiros (e o que mais me influenciou), clique aqui.O link direciona para um livro meu sobre o escritor paulista.

Propaganda é isso aí!

sábado, abril 17, 2010

sexta-feira, abril 16, 2010

Novos cursos de audiovisual do Museu da Imagem e do Som


O Museu da Imagem e do Som (MIS) está com inscrições abertas para mais dois cursos na área de audiovisual. Um é de o Fotografia e o outro é de o Produção Executiva, ambos desenvolverão conteúdos referentes ao cinema e ao vídeo digital.
              Essas ações se inserem como parte da estratégia do MIS, através do projeto Teia Cultural, de profissionalizar os produtores independentes do Estado, com a oferta de cursos gratuitos em áreas estratégicas do segmento audiovisual. Já foram realizados cursos de Roteiro, Direção e Iluminação, que atenderam mais de 60 alunos.
              Continuando essa oferta de cursos, o MIS traz a Macapá dois instrutores com reconhecida competência profissional em suas respectivas áreas de atuação. Os cursos perfazem uma carga horária de 80 horas-aula que serão ministradas em dois turnos: manhã e tarde.
              A expectativa é que depois desse ciclo de cursos o cenário audiovisual do estado receba um novo fôlego e que as produções audiovisuais futuras possam refletir o aprimoramento técnico que os instrutores trarão ao estado.
              O curso de Fotografia será conduzido por Rodolfo Figueiredo, um profissional extremamente qualificado nessa área. 
Já o curso de Produção será ministrado por Márcia Macêdo, experiente produtora paraense que participou de projetos audiovisuais em documentários, ficções e animação nos suportes película e digital. 

Serviço:
Os interessados em participar de um dos dois cursos podem procurar o Museu da Imagem e do Som (MIS) que funciona do Teatro das Bacabeiras, no horário de 8:30 às 12:00 e das 14 às 18:00 de segunda a sexta. São apenas 25 em cada dos cursos.

Fotografia para cinema e vídeo:
Curso Gratuito
8h/a dia (manhã e tarde) das 8 às 12 e das 14 às 18h
Início: 03 de maio
Fim: 14 de maio
Com sábado e domingo de folga (08 e 09.05)


Produção para cinema e vídeo:
Curso Gratuito
8h/a dia (manhã e tarde) das 8 às 12 e das 14 às 18h
Início: 10 de maio
Fim: 21 de maio
Com sábado e domingo de folga (15 e 16.05)

quinta-feira, abril 15, 2010

MAD divulga versão de Alice com roteiro meu e desenho de Roger Cruz

O blog da revista MAD divulgou uma prévia da edição 25 da MAD, que traz minha sátira de Alice no país das maravilhas com desenhos do ótimo Roger Cruz. Veja o texto da revista sobre a história: "Como todo mundo já tá cansado da velha história da loirinha que vai seguir um coelhinho e se mete nas piores enrascadas, decidimos tornar a vida da menina mais miserável e a mandamos para um lugar mais inóspito e inacreditável… o BRASIL! Sim, nesta edição, teremos “Alice no País das Armadilhas”! E pra ninguém pensar que estamos de brincadeira, chamamos dois pesos-pesados para fazer essa loucura: o roteirista Gian Danton e o estreante (na MAD) e veterano (desenhista) ROGER CRUZ! (UHUUUUUUU!) Sim, o cara que fazia você delirar com as histórias clássicas dos X-Men agora tá perdendo a vida na MAD!"
Eu só posso dizer: o desenho do Roger Cruz está fantástico! 

Júpiter II e Guedes Manifesto lançam Meteoro Comics 2


A editora Júpiter II lança a revista Meteoro Comics 2, em um trabalho de co-edição com o selo Guedes Manifesto, do editor e escritor Roberto Guedes, criador do super-herói Meteoro.
Diferente do recém-lançado Almanaque Meteoro 1 (que traz histórias inéditas do personagem, dentro de uma nova continuidade), Meteoro Comics é um título que republica histórias antigas do Mascarado Voador, lançadas em revistas independentes durante a década de 1990.
É o caso dessa segunda edição, que reapresenta nada mais, nada menos que a (então raríssima) primeira aventura de Meteoro, programada para sair originalmente em um almanaque da Editora Phenix em 1991, mas que acabou estreando no ano seguinte pelo selo Status Comics; com roteiro de Guedes, arte de Claudio Vieira (um artista oriundo dos estúdios de Mauricio de Sousa), letreiramento de Vanderfel e edição de Tony Fernandes.
Ou seja, esse é o tão comentado “Meteoro de Capa”, loiro e musculoso, ou conforme Guedes atesta no editorial: “[...] Tony entendia que a vestimenta original que eu inventei com malha toda preta e máscara inteiriça branca, carecia de apelo comercial [...] Com o passar das edições, seu cabelo escureceu e o uniforme negro voltou, para, em seguida, ser substituído por aquele que é conhecido hoje, com colete e mangas bufantes.”

A história intitulada simplesmente “Meteoro”, possui 25 páginas e mostra como o jovem Ricardo “Ric” Marinetti adquire seus fantásticos poderes, e decide usá-los no combate ao mal.
Morador do bairro do Ipiranga, e neto de italianos, Ric Marinetti se distingue de Roger Mandari (o novo Meteoro) em vários aspectos, como por exemplo, ser dono de um cachorrinho chamado Kid, ser orfão de pai, e de ter um cast de coadjuvantes bem diferentes de seu sucessor, com exceção da “eterna namorada”, a loira e linda Laura Lopez.
Para adquirir Meteoro Comics 2 é só acessar o blog da Editora Júpiter II http://jupiter2editora.blogspot.com/. Caso prefira garantir um exemplar autografado pelo próprio autor, basta entrar em contato com Roberto Guedes por intermédio de seu blog http://guedes-manifesto.blogspot.com/, ou pelo e-mail guedesbook@gmail.com.



Meteoro Comics 2
Júpiter II/Guedes Manifesto
Formato: 15,5 x 21 cm
28 páginas
Capa colorida, papel couché (Arte: Marcelo Borba – Cores: Zé Borba)
Miolo P/B, impressão offset 
R$ 3,00

Eu no twitter

Sim, eu estou no twitter. Para me acompanhar, meu endereço é: @giandanton.

terça-feira, abril 13, 2010

Dantonpédia no site Bigorna

Estreou hoje minha coluna no site Bigorna, um dos mais famosos sobre quadrinhos e cultura pop. A coluna chama-se Dantonpédia. "por ser escaladíssimo no ramo e saber tudo sobre Quadrinhos, Danton foi convidado para estrelar a coluna "Dantonpédia", em que toda semana vai, literalmente, dar uma aula sobre a Historia da Nona Arte. Esta mesma que, apesar de nona, é a PRIMEIRA em nossos corações: os Quadrinhos!Preparem seus cadernos e lápis que a partir desta semana você tem um encontro marcado com o Professor nada aloprado, Gian Danton. Só podia ser aqui no Bigorna, claro!", diz a notícia anunciando a coluna. Para acessar, clique aqui
Ps: o desenho que ilustra minha coluna é do grande Márcio Baraldi. 

segunda-feira, abril 12, 2010

Fúria de Titãs

Fúria de Titãs foi um filme que marcou a minha geração com suas histórias mitológicas e sua animação em stop motion. Era o que existia de mais avançado na época em termos de efeitos especiais, mas, principalmente, era uma ótima história, que juntava vários mitos gregos. Agora vão fazer uma refilmagem, mas jamais terá o charme dessa versão.


Concurso de contos

O site CONTOS FANTÁSTICOS lançou um Desafio Literário de Ficção Científica baseado em Imagens (como a que ilustra este post) . É uma proposta modesta para fomentar a criatividade de quem gosta de  escrever FC ou se motive pela ousadia de tentar se aventurar no gênero. A premiação será simbólica ( distribuição de livros para os vencedores ) e  publicação dos textos com destaque no acervo do CF. 

domingo, abril 11, 2010

Revelada mais uma imagem do Astronauta da parceria Gia Danton - JJ Marreiro

O JJ divulgou mais uma imagem da nossa versão do Astronauta, que faremos para o MSP+50, em homenagem aos 50 anos de carreira do Maurício de Sousa. Abaixo, um texto do JJ explicando a imagem:
"Não é de hoje que os personagens espaciais tem me interessado. Meu primeiro personagem era um herói espacial: Levran. Em 2000 criei Bob Rocket que veio a se chamar Beto Foguete e mais recentemente o Paladinon Veloz. As séries Topa Sideral (parceria com o Roberto Guedes) e Esquadrão dos Super-Heróis (parceria com Gerson Witte e Sandro Marcelo) também se enquadram nesse contexto de herói espacial.
Sempre fui fã de Star Trek, Flash Gordon e Buck Rogers (o da TV). Quando fui chamado pelo Sidney Gusman para produzir algo para o MSP+50 em parceria com o Gian Danton achei que iria desenhar a Mônica, afinal a filha do Gian é fanzona da baixinha dentuça. Mas ao contrário disso Gian escolheu O Astronauta. Foi uma espécie de sintonia fina. Eu estava querendo desenhar mesmo o Astronauta, mas a convite do Sidão eu desenharia até o Tiririca. Assim, quando o Gian me falou que tinha idéias para o Astronauta soltei alguns fogos e depois caí em campo para trabalhar o design do personagem numa ótica distinta do Maurício. Afinal, a proposta é mostrar os personagens do Maurício pelo prisma de outros autores. Fiz 3 ou 4 designs até chegar nessa versão.
O Gian também é fã de Star Trek, Dr. Who e Perry Rhodan. Então quando o argumento foi desenvolvido ao longo de bate-bolas, idas e vindas, chegamos em algo que será interessante dentro da nossa praia que é a ficção científica.
Aqui vcs vêem uma imagem de estudo do personagem. Ela não estará na hq (óbvio!) mas ajudou a embasar o que pensamos sobre o herói espacial do Maurício.
Outro desenho de produção está disponível em: http://migre.me/veCJ
Muito obrigado a todos pela visita. Comentem a vontade, amigos. Essa imagem de hoje foi em primeira mão pra turma do fotolog terra, ok?
Força Sempre!"

sábado, abril 10, 2010

Newton Cruz admite atentados terroristas feitos por militares

Ontem, no Jornal da Globo, o ex-chefe do SNI, órgão de inteligência do Governo Militar, admitiu que o Rio-Centro foi uma tentativa de atentado dos militares, que deu errado. Mais: admitiu que havia um outro plano, para explodir uma bomba maior, em local movimentando. Mas relativizou: segundo ele, os militares só queriam assustar.
Como bem explica o escritor Hélio Gáspari no livro A ditadura escancarada, o sistema repressivo da ditadura, que surgiu supostamente para combater o terrorismo, logo se tornou, ele mesmo, terrorista.

sexta-feira, abril 09, 2010

Cultura pop e indústria cultural



INTRODUÇÃO
Desde a Escola de Frankfurt, o termo Indústria Cultural tem sido usado para designar aquelas peças culturais que não são nem fruto da elite, nem da população menos favorecida, configurando produtos veiculados através dos meios de comunicação de massa.
Entretanto, fatos recentes têm demonstrado que o conceito formulado por Horkheimer e Adorno nem sempre se adequam aos produtos da mídia.
Por outro lado, começa a ser usado um novo termo para designar esses mesmos produtos: cultura pop. O termo, embora de uso corrente, não mereceu até o momento uma melhor análise por parte da comunidade acadêmica.
O nosso objetivo aqui é dar uma definição do termo cultura pop, trabalhando-o como complementar ao de Indústria Cultural.
INDÚSTRIA CULTURAL
O conceito de Indústria Cultural foi veiculado pela primeira vez em 1947, por Horkheimer e Adorno, no texto "A dialética do Iluminismo". O termo foi cunhado em oposição à cultura de massa, que dava a idéia de uma cultura surgida espontaneamente da própria massa.
Para Adorno, a idéia de que os produtos da Indústria Cultural vêm do povo é equivocada, pois a Indústria Cultural, ao aspirar à integração vertical de seus consumidores, não apenas adapta seus produtos ao consumo das massas, mas também determina esse consumo.
O termo Indústria Cultural  é mais adequado, pois deixa bem claro que tais peças culturais são produtos fabricados para serem consumidos, assim como sabonetes e carros.
É importante notar, como destaca José Marques de Melo, que as reflexões da escola de Frankfurt foram feitas durante "a transição da sociedade industrial para a sociedade da informação, tendo a emergente indústria cultural como protagonista hegemônico.
Adorno e Horkheimer partem da constatação de que a sociedade industrial não havia realizado as promessas do iluminismo humanista. O desenvolvimento da técnica e da ciência não trouxe um acréscimo de felicidade e liberdade para o homem.
Considerando-se, diz Adorno, que o iluminismo tem como finalidade libertar os homens do medo, tornando-se senhores de si e liberando-os do mundo da magia, do mito e da superstição, e admitindo-se que essa finalidade pode ser atingida por meio da ciência e da tecnologia, tudo levaria a crer que o iluminismo instauraria o poder do homem sobre a ciência e a técnica. Mas o que ocorreu foi justamente o contrário. Liberto do medo mágico, o homem tornou-se vítima de um novo engodo: o progresso da dominação técnica.
Ao invés do libertar a humanidade, o progresso da técnica acabou por escravizar o homem, alienando-o.
Os meios de comunicação de massa, resultado direto de desenvolvimento da técnica, tiveram papel importante nesse processo de escravização da massa.
Segundo os pensadores frankfurtianos, a reprodutibilidade técnica tirou tanto da cultura popular quanto da cultura erudita o seu valor real. O resultado, a Indústria Cultural, não conduz à experiência libertadora da fruição estética.
O próprio princípio da reprodução deformaria a obra, pois ela seria nivelada por baixo, evitando sempre que possível aqueles elementos que poderiam interferir no seu caráter de produto.
Exemplo disso podemos ver na adaptação da Disney para o clássico “O Corcunda de Notre Dame”, de Victor Hugo. A história foi "adocicada" para se tornar mais palatável ao consumidor...
Assim, a Indústria Cultural pretende alienar, e não conscientizar; acomodar, e não incitar.
Para os frankfurtianos, os produtos da Indústria Cultural teriam três funções:
A.    ser comercializados;
B.    promover a deturpação e a degradação do gosto popular;
C.   obter uma atitude sempre passivados seus consumidores.
Como são feitos para serem vendidos, os produtos da Indústria Cultural jamais devem desagradar os compradores. A produção é homogeneizada e nivelada por baixo.
Para Adorno, a visão crítica por parte do expectador não é possível dentro da Indústria Cultural, pois "A transformação do ato cultural em valor suprime sua função crítica e nele dissolve os traços de uma experiência autêntica".
Embora seja fundamental para a análise dos meios de comunicação de massa, em especial na primeira metade do século passado, a noção de Indústria Cultural tem sido objeto de diversas críticas.
Martellart, por exemplo, desconfia que Adorno e Horkheimer estigmatizaram a Indústria Cultural em decorrência de seu processo de fabricação atentar contra certa sacralização da arte: "Na verdade, não é difícil perceber em seu texto o eco de um vigoroso protesto erudito contra a intrusão da técnica no mundo da cultura".
Para Calazans, a teoria frankfurtiana, embora seja pertinente para personagens como Capitão América e Tio Patinhas, não consegue explicar outros produtos da Indústria Cultural, tais como Druuna e Ranxerox.
Além disso, as idéias da escola de Frankfurt, mesmo atacando o conformismo, acabaram se tornando um discurso conformista, de pessoas que, confortavelmente em suas poltronas ou empregos, apenas criticam a indústria cultural, sem, no entanto, apresentar qualquer opção.

CULTURA POP
O termo cultura pop tem sido usado indiscriminadamente para designar diversos produtos da Indústria Cultural. Fala-se em música pop, pop rock, quadrinhos pop e, finalmente, cultura pop.
Mas o que é cultura pop? O que caracteriza algo como pop? Que tipo de cultura é essa, denominada pop?
Uma resposta interessante para a pergunta está no ponto de vista daqueles que colocam a cultura pop como uma alternativa para a cultura oficial.
Em um virulento editorial da revista General Visão, número zero,  Rogério de Campos ataca o imobilismo cultural daqueles que criticam a Indústria Cultural por comodidade:
"Essa revista surge para, entre outras coisas, chatear essa gente. Nosso objetivo é mergulhar nas imagens criadas pela tal cultura pop e provocar mais imagens. Desenhos de shapes de skate, games, ilustrações, brinquedos estranhos, capas de discos, roupas, flyers, cartazes, filmes, tatuagens, fanzines, desenhos de sites, desenhos animados, fotografias, histórias em quadrinhos e até pinturas e esculturas. Criadores que vivem além das fronteiras das imaculadas galerias ou apenas inconvenientes, fora do lugar "correto", fora do tempo, contraditórias, infinitas imagens elétricas para ofuscar as imagens oficiais. Não siginifica ficar deslumbrado pela Indústria Cultural, mas, ao contrário, enfrentá-la com ações e visões críticas".
Daí percebe-se o conceito de cultura pop como algo que nasce da Indústria Cultural, mas não se limita às regras suas acríticas e homogenizantes. Ao contrário, a cultura pop está muito mais próxima da subversão que da ideologia. Ela, constantemente, quer incomodar o receptor, ao invés de acomodá-lo.
O trabalho do autor britânico de histórias em quadrinhos) Alan Moore se encaixa perfeitamente nesse padrão. Sua produção de quadrinhos tem sido subversiva e inquietante: do “herói” anarquista em “V de Vingança” à denúncia da moral vitoriana, na história incrivelmente detalhada de Jack, o Estripador, “Do Inferno”, recentemente transformada em filme.
Quando achou que os leitores estavam acomodados à sua produção mais intelectual, Moore, para provocá-los, dedicou-se a fazer histórias de super-heróis para a editora Image.
Essa produção crítica e provocadora não se encaixa em absoluto no conceito de Indústria Cultural.
Muito antes de Alan Moore, a editora americana E.C. Comics já fazia quadrinhos que estavam mais próximos do conceito de obra aberta do que de Indústria Cultural.
São inúmeros os outros exemplos (de)produções que estão mais próximas da entropia que da redundância que, teoricamente, deveria caracterizar a Indústria Cultural.
No cinema, há diretores como os americanos QuentinTarantino (, de “Cães de Aluguel” e “Tempo de Violência”) e Terry Gillian e, mais recentemente o indiano M. Night Shyamalan, (de “O Sexto Sentido” e “Corpo Fechado”)que não se encaixam no jeito americano de fazer filmes.
Na música há bandas que rompem com os ditames do stablishment: Beatles e suas experimentações, o incorfomismo de Raul Seixas, Pato Fu e a crítica à TV (na música “Televisão de Cachorro”)...
Por outro lado, há toda uma leitura crítica por parte dos receptores que foi totalmente ignorada pelos frankfurtianos, assustados com a idéia de uma mídia toda-poderosa, derivada do conceito de agulha hipodérmica.
A leitura de uma história em quadrinhos, de um seriado de TV, de um filme, pode evoluir desde a fruição pura e simples até uma análise semiótica aprofundada.
Embora os meios de comunicação de massa tenham como objetivo a leitura e a fruição rápidas, isso não significa que todos os leitores estejam “amaldiçoados” a fazerem sempre leituras superficiais.
Alguns leitores discutem os quadrinhos da mesma forma que um crítico de arte o faria com um quadro, ou um crítico literário com um romance.
Por conta dessa leitura, alguns produtos da indústria cultural acabam se tornando cultura pop. É o que acontece, por exemplo, com o seriado Jornada nas Estrelas ou com as histórias clássicas de Jack Kirby e Stan Lee para a Marvel.
Importante notar que, embora não tenham uma postura tão crítica ou provocadora quanto outros exemplos de cultura pop, tanto Jornada quanto as histórias clássicas da editora americana de quadrinhos Marvel (dona do Homem-Aranha, Capitão América e X-Men) têm duas características em comum:
A.    Eles apresentam inovações significativas com relação ao modo de fazer as coisas dentro daquele gênero ou mídia (ou seja, são mais informativos que redundantes). A Marvel inovava, e muito, ao mostrar o lado humano dos heróis (o melhor exemplo talvez seja o Homem-aranha, sempre envolvido com gripes, perseguições da polícia e brigas com a namorada), sem falar na estética expressionista de Jack Kiby. Jornada nas Estrelas inovava ao introduzir nos seriados de ficção um vivo manifesto pacifista e ao dar um grande valor aos roteiros bem elaborados.
B.    Eles se destacam por seu caráter mítico. Não são poucos os autores que admitem o caráter mítico de Jornada nas Estrelas e de personagens como o Surfista Prateado. A mídia estariam, nesse caso, resgatando algo que havia se perdido com a quase total extinção dos chamados contadores de histórias que, nas sociedades de desenvolvimento tecnológico menos desenvolvido, são os principais divulgadores dos mitos.
CONCLUSÃO
O conceito de cultura pop surge não para substituir o de indústria cultural, mas complementá-lo. Ele é aplicado onde justamente as teorias da escola de Frankfurt falham: nos produtos da indústria cultural que não conformam, mas provocam, não acomodam, mas incentivam uma leitura crítica da realidade.
A cultura pop surgiria ou de uma vontade de se contrapor à indústria cultural num movimento "de dentro", ou daquelas peças que ganham uma nova dimensão em decorrência de sua carga arquetípica.
Assim, a cultura pop teria as seguintes características:
A.    ser inovadora com relação aos seus congêneres, tanto em termos de forma quanto de conteúdo;
B.    apresentar uma leitura crítica de mundo;
C.   ter um conteúdo arquetípico;
D.   ser provocadora.
Tais características fazem com que, embora passe pelos mesmos mecanismos de reprodutibilidade técnica, a cultura pop se diferencie da média do que chamamos de indústria cultural.