quinta-feira, junho 22, 2017

A loucura dos quadrinhos

Em 1985, quando a Marvel lançou uma minissérie do personagem Longshot, o que chamou atenção não foi tanto o personagem, mas estilo detalhista de seu desenhista, Arthur Adams. Embora não tivesse pique para uma série mensal, Adams acabou deixando sua marca nos quadrinhos, influenciando toda uma nova geração. Seu arte-finalista era Whilce Portacio, que fora colocado na série exatamente para aprender com Adams. Acabada a mini, Portacio foi colocado no título Tropa Alfa, com desenhos do sul-coreano Jim Lee. Os dois se tornaram amigos e definiram um estilo que marcaria os anos 1990.
Enquanto isso, um ex-jogador de beisebol, Todd McFarlane, estava se sentindo insatisfeito com o título do Hulk. Seu editor levou amostras de sua arte para outros editores da Marvel. Sua anatomia distorcida e fetiche por detalhes fizeram com ele ganhasse o título do Homem-aranha.
McFarlane, Lee e Portacio tinham um estilo que destoava completamente do estilo sóbrio e funcional de artistas que haviam feito escola na editora, como John Byrne e se aproximava mais da linguagem de vídeo-clipes e a não-linearidade narrativa.
Em 1989 McFarlane decidiu que queria escrever e desenhar seu próprio título. Achou que o editor lhe daria um título menor, mas se surpreendeu ao descobrir que seria o responsável por um novo título do aracnídeo. Ele mesmo dizia que não era roteirista. Do jornal, só lia o caderno de esportes e nem se lembrava do último livro que tivera em mãos.
Enquanto esperava seu próprio título estrear, McFarlane resolveu ajudar outro novo talento a arte-finalizar as capas de Novos Mutantes: Rob Liefield. Liefield era ainda mais trôpego na arte da narrativa. Seus músculos e artilharia eram absurdos. Cenários de fundo desapareciam e reapareciam janelas quadradas logo reapareciam redondas. Segundo sua editora Louise Simonson, ele simplesmente não ligava para o roteiro, fazendo desenhos de gente cool pousando de uniforme para depois vender as páginas por uma boa grana. Ainda assim, as vendas subiam.
Para o lançamento do Homem-aranha, os executivos adotaram uma estratégia que seria a melhor representação da era que se iniciava: colocar a revista dentro de um saquinho plástico. O saco destacava a revista no ponto de venda e fazia com os colecionadores comprassem duas edições, uma para guardar fechada e outra para abrir e ler. Também havia duas capas, uma com tinta normal e outra com tinta prateada, o que levava os colecionadores a comprarem a mesma revista três vezes. Como resultado, a revista vendeu mais de um milhão de exemplares.
Novos artistas escrevendo e desenhando em um estilo pouco narrativo, mas chamativo, capas alternativas e saquinhos pareciam ser a nova moda. Logo viria X-men 1, de Portacio e Lee. A revista tinha diálogos de Chris Claremont e depois de John Byrne (ambos não aguentaram ter de colocar textos em páginas que iam chegando aos poucos e pareciam não fazer sentindo). Vendeu mais que o Homem-aranha de McFarlane. A revista teve cinco capas variantes, fazendo com que os colecionadores comprassem seis vezes a mesma revista – uma para tirar do saco e ler e cinco para guardar na coleção.
Nesse mesmo período a DC decidiu, numa jogada de marketing, matar o Super-homem, o que gerou muitas matérias em jornais e revistas. E as matérias sempre traziam informações sobre pessoas que haviam comprado a Action Comics número 1 por centavos e que agora essas revistas valiam o suficiente para serem trocadas por uma mansão. Então aquele motorista de caminhão que nunca havia lido quadrinhos achou que tinha achado sua mina de ouro: bastava comprar uma daquelas revistas número 1 (talvez X-men de Lee e Portacio ou o Homem-aranha de McFarlane) e guardá-la, esperando que valorizasse o suficiente para garantir a faculdade dos filhos.
Agora já não eram mais só os fãs que compravam. Pessoas que nunca haviam lido quadrinhos compravam caixas de gibis e guardavam. Se o gibi tinha cinco capas variantes, compravam cinco caixas de gibis e guardavam, esperando valorizar. As vendas batiam a casa dos milhões, um número muito superior ao número real de fãs de quadrinhos nos EUA.
Claro, esse era um sistema que tinha tudo para implodir. Logo ia chegar um ponto em que todos (lojistas, especuladores e fãs de quadrinhos) iriam perceber que aquelas revistas nunca se valorizariam tanto – principalmente por um fator simples de economia: se algo existe em grande quantidade, não tem valor (Um ótimo exemplo disso é a edição nacional da morte do super-homem, que hoje pode ser facilmente encontrada em qualquer sebo por preços que variam de 3 a 5 reais, um valor inferior ao que seria o preço de banca se a revista fosse lançada hoje).

Mas antes que a bolha explodisse, a indústria de quadrinhos viu nascer a era Image.

Túnel do tempo


The Time Tunnel (no Brasil, O Túnel do Tempo) foi um seriado de TV realizado por Irwin Allen nos anos 60, que mostrava as viagens no tempo de dois cientistas: (Robert Colbert, como Doug Phillips, e James Darren, como Tony Newman).
Eles eram monitorados por uma equipe que permanecia no laboratório e os acompanhavam em seus deslocamentos no tempo através de imagens que recebiam pelo Túnel do Tempo. A equipe estava sempre tentando encontrar um meio de trazê-los de volta, ou então tentavam ajudá-los por intermédio dos recursos de que dispunham, como precárias transmissões de voz ou envio de armas ou equipamentos, quando possível. Quando tudo falhava, tiravam-nos de uma época e os enviavam para alguma outra data incerta do passado ou do futuro, dando início a um novo episódio.
Os personagens viajavam pelos mais diferentes períodos históricos, indo parar até mesmo no Titanic pouco antes dele afundar.  
Nos episódios eram utilizados imagens de arquivo de filmes da Fox, como O Mundo perdido, Príncipe Valente e até do seriado viagem ao fundo do mar. A regra da televisão na época era: lavou, tá novo.
Devido ao elevado custo de produção, esse seriado durou apenas uma temporada, com 30 episódios.

quarta-feira, junho 21, 2017

O Príncipe Submarino


Em 1939, Martin Goodman, dono da editora Timely, estava em maus lençóis. As vendas dos pulps (revistas de contos em papel barato) estavam em queda. Ele precisava de algo que fosse um sucesso de vendas. Foi quando Frank Torpey, agente do estúdio Funnies Inc apareceu com uma novidade. O pernagem era o Príncipe Submarino, criado por Bill Everett para a revista Motion Pictures Funnies Weekly, uma revista que era para ser distribuída de graça para crianças no cinema na esperança de que na semana seguinte elas quisessem comprar. Segundo Torpey, os quadrinhos eram grana fácil.
No final, negociaram para a publicação de uma antologia incluindo outros personagens criados pela Funnies, incluindo o Tocha Humana.
A antologia se chamou Marvel Comics e foi lançada em agosto de 1939. Vendeu 80 mil exemplares em um mês. Goodman decidiu reimprimir e vendeu 800 mil exemplares.
Junto com o Tocha Humana, Namor era a grande atração da Marvel. Na história, uma expedição faz explosões que provocam destruição involuntária nas colônias submersas de Atlântida. O imperador manda sua filha espionar os humanos. Ela faz mais que isso: se apaixona pelo capitão e engravida dele. Dezenove anos depois o fruto dessa união emerge do mar querendo vingança contra a raça humana. Com orelhas pontudas, asas nos pés e vestindo apenas uma sunga verde e um cinturão dourado, Namor (cujo nome significa filho vingador) era tudo, menos um herói convencional. Na verdade, estava mais para um anti-herói, violento e incorreto.
Já estava ali, naquelas primeiras histórias, a base do que seria a Marvel Comics. Enquanto na DC heróis como o Super-homem eram certinhos, na Marvel eles se pareciam mais com anti-heróis. Enquanto na DC os personagens trafegavam por cidades imaginárias, na Marvel os heróis lutavam em Nova York. Além disso, havia uma ligação entre os personagens, eles viviam no mesmo ambiente. Namor interessara-se por Betty Dean, amiga de Jim Hammond, alter-ego do Tocha Humana. E posteriormente ambos os personagens iriam se enfrentar (em outra grande características Marvel: quase sempre, quando heróis se encontram, eles brigam).
Embora inicialmente tenha se dedicado à sua vingança contra os humanos, Namor logo se aliaria aos americanos na luta contra o Eixo – uma jogada de Goodman, que percebeu que o patriotismo dava dinheiro.
Com o fim da guerra, os super-heróis entraram em declínio e Namor hibernou no limbo editorial.
Quando Stan Lee e Jack Kirby criaram o mega-sucesso Quarteto Fantástico, resolveram trazer de volta o personagem – e inventaram que ele estivera todo esse tempo sem memória, vivendo como mendigo em Nova York. O novo Tocha Humana o descobre, joga-o na água e ele recupera a memória. É o bastante para voltar à sua sanha de vingança contra a humanidade.
O personagem voltou a fazer sucesso e dividiu revista com o Hulk em Tales of Astonish.

Em 1968 ele finalmente ganhou revista própria, numa memorável fase com roteiros de Roy Thomas e desenhos de John Buscema. Ambos deram uma explicação coerente para a cronologia do personagem em história repletas de ação e selvageria, que antecipavam o trabalha da dupla em Conan, o bárbaro.  

O que foram os julgamentos de Nuremberg?


Os julgamentos de Nuremberg foram os processos abertos contra 24 dos principais criminosos de guerra da II Guerra Mundial no Tribunal Militar Internacional. Ele iniciou no dia 20 de novembro de 1945, na cidade alemã de Nuremberg.
Como resultado desses processos, o tribunal decretou 11 condenações à morte, 3 prisões perpétuas, 2 condenações de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de 10 anos. Hans Fritzsche, Franz von Papen e Hjalmar Schacht foram absolvidos.
O historiador Eric Hobsbawn, no livro A Era dos extremos, diz que a punição aos nazistas não se tratava de vingança: “Trata-se de trazer de volta a ordem e a normalidade, restabelecendo a confiança dos povos nos organismos legalmente constituídos”. A idéia não era punir condenar milhares, mas “punir aqueles que servissem de exemplo”.
Além dos 24 principais nomes, foram analisados mais de 900 mil casos. Cerca de 40 mil funcionários públicos norte-americanos, franceses e britânicos foram convocados. Era um verdadeiro exército de escrivães, juízes e advogados.

Entretanto, muitos criminosos de guerra fugiram para países como Argentina e Brasil ou desapareceram no meio da burocracia. 

Heróis da TV 43


A edição 43 da revista Heróis da TV troux como principal atração uma história de Conan publicada na revista What if (aqui traduzida como O que aconteceria se...) em 1979. Na história, Conan surge na Nova York da década de 1970 em pleno apagão. O desenho de John Buscema como arte final de Ernie Chan dispensa apresentações. O visual rico da história enche os olhos do leitor desde a capa. O desafio ficou mesmo por conta do roteirista Roy Thomas: como trazer o cimério para nossos dias e manter a verossimilhança da história? Afinal, Conan é um personagem de fantasia capa e espada. Como adequar isso a um ambiente urbano contemporâneo. Thomas resolve isso através de um truque esperto: Conan veio para nosso tempo através de magia.
A HQ é tão repleta de ação que o leitor facilmente esquece a descrença e embarca na história, apesar de algumas incoerências (Conan se apaixona por uma taxista e parece cavaleiro demais - em determinado o texto diz que ele está esganando um homem com a mão direita, quando o desenho o mostra fazendo isso com a mão esquerda, que havia levado um tiro).
No final, é, acima de tudo uma história divertida. Destaque para o humor de Roy Thomas, que brinca o tempo todo com o fato de que os personagens não falam a mesma língua, o que provoca diversos equívocos. Deixo aqui também a capa original.

Capas de pulp fictions








terça-feira, junho 20, 2017

O uivo da górgona - parte 75

75
Dani sentou-se em um banco, no corredor do shopping, num local afastado da praça de alimentação e Edgar fez o mesmo. O professor não deixara de notar que Alan os observara atentamente enquanto se afastavam. Mas estava ali e precisava conversar com ela.
- E então? – perguntou a moça.
Edgar pigarreou de leve, indeciso sobre como começar.
- Bem, é sobre sua história.
- Minha história?
- Sim, há algo que me intriga nela.
A moça olhou-o, intrigada:
- Como assim?
- Se você soubesse o que estava acontecendo lá fora, todo esse apocalipse, eu conseguiria entender porque não tentou voltar para casa. Mas, segundo suas próprias palavras, você só soube dos zumbis muito depois. O que quero saber é porque não saiu e simplesmente pegou um taxi quando percebeu que sua mãe não vinha?
                A moça ficou em silêncio, mordendo o lábio inferior.
- Então? – perguntou Edgar.
- Já ouviu falar em agorafobia?
- Agorafobia. Medo de locais abertos, ou com muitas pessoas.
A moça fez que sim com a cabeça.
- Há quanto tempo você tem isso?
- Eu sempre percebi algo estranho. Mas minha mãe não acreditava que realmente fosse algo grave. Até bem pouco tempo. Eu estava começando um tratamento antes de começar essa coisa toda. Já tinha visitado um psicólogo...
Edgar coçou o queixo:
- Isso pode vir a se tornar um problema. Enquanto estamos aqui, no shopping, não haverá grande dificuldade, mas se precisarmos sair...
- Eu não vou conseguir.

- Vamos precisar lidar com isso. 

Quem foi Oscar Schindler?


Oskar Schindler  foi um empresário tcheco que ficou famoso por salvar 1.200 trabalhadores judeus do holocausto.
Schindler se tornou membro do partido Nazista assim que a Alemanha anexou a região dos Sudetos, em 1938. Quando a  Polônia foi invadida, ele se mudou para o país pensando em ganhar dinheiro aproveitando a mão-de-obra escrava de judeus. Ele abriu, então, uma fábrica de esmaltados e conseguiu trabalhadores do gueto de Cracóvia.
Em março de 1943 o gueto foi desativado. Os moradores foram mortos e os sobreviventes enviados ao campo de concentração de Plaszow. Os trabalhadores de Schindler ficavam o dia todo na fábrica e à noite voltavam para o campo de concentração.
Mas a grande ação humanitária de Schindler aconteceu em  1944, quando os administradores do campo receberam ordens de desativá-los e enviar todos os judeus para campos de extermínio.
Schindler subornou os oficiais para convencê-los de que precisava de operários especializados. Com isso fez uma lista com 1200 nomes, incluindo crianças, que acabaram sendo salvos do holocausto e enviados para uma fábrica adquirida por ele na sua cidade natal de Zwittau-Brinnlitz. Ainda teve de subornar mais oficiais, pois o trem que levava as mulheres foi desviado e enviado para Auschiwitz.
Nos últimos dias da guerra, com a proximidade do exército russo, Schindler fugiu para a Alemanha, em território controlado pelos norte-americanos e ingleses.
Ele acabou se livrando de ser preso graças aos depoimentos dos judeus que ajudara.
Terminada a guerra, ele estava falido graças ao dinheiro investido na compra dos judeus. Mas o Estado de Israel lhe deu uma pensão vitalícia em agradecimento por seus atos humanitários.
Schindler plantou uma árvore na Avenida dos Justos, no Museu do Holocausto.
A história foi filmada por Steven Spielberg com o nome de A Lista de Schindler. Esse filme é considerado pelo diretor e pela crítica como sua melhor realização e lhe valeu o Oscar de melhor direção de 1994.

Na maioria das listas de melhores filmes de história, A Lista de Schindler aparece em primeiro lugar. 

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Space ghost

No final da década de 1960, a emissora americana CBS, que estava perdendo audiência nas manhãs de sábado para ABC, resolveu encomendar a Hanna-Barbera um desenho de ficção-científica com heróis dotados de super-poderes. A Hanna-Barbera que só tinha experiência com desenhos humorísticos, exceção de Jonny Quest, não tinha uma equipe de roteiristas e desenhistas com prática nessa área, mas aceitou o desafio.
A produtora contratou o desenhista Alex Toth, que já havia desenhado gibis de super-heróis para a DC Comics. Toth tomou como base o herói dos quadrinhos da Marvel, The Spectre, e criou um herói espacial chamado Space Ghost.
 Cada episódio tinha em média 8 minutos e mostrava um herói poderoso e gentil usando uma roupa branca e máscara preta, com capacidade de voar e ficar invisível.
Space Ghost tinha ainda, em cada pulso, um bracelete com botões que, quando pressionados, emitiam raios com várias funções, entre elas, a projeção de escudos de força.
O herói tinha dois ajudantes, que mais atrapalhavam do que ajudavam, os gêmeos Jan e Jace, além do macaco blip.
Entre os vilões enfrentados pelo herói estavam: Viúva Negra, Zorak, Sarrasco Humano, Lurker, Glasstor, entre outros.
Em 1994 o personagem foi revivido para estrelar um talk show na Cartoon Network. Seus assistentes eram os outrora vilões Zorak (um louva-deus gigante que era o tecladista e líder da banda do programa) e Moltar (uma criatura de lava dentro de uma armadura metálica que faz a edição do programa).
Entre as celebridades entrevistas por Space Ghost estão Beck, Timothy Leary, os Ramones e Matt Groening. O programa usava um humor absurdo e surreal.

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

segunda-feira, junho 19, 2017

Superaventuras Marvel 4


Superaventuras Marvel número 4 foi a primeira revista de heróis que eu li, provavelmente no ano de 1982. Eu estava em uma fila de banco do tipo que durava a manhã inteira e parte da tarde (sim, havia uma época em que a única forma de pagar contas era enfrentando a fila do banco). Alguém tinha levado essa revista e, quando terminou de ler, alguém pediu emprestado, mas acabou emprestando para outra pessoa. Assim, a revista foi passando de mãos em mãos até chegar ao local em que eu estava. Ali ela parou. Devorei a revista da primeira à última página. Lembro que gostei do Demolidor do Frank Miller. Mas que o que realmente me chamou atenção foi a história do Doutor Estranho, que tinha um forte toque de horror, e a história de Conan. Em certo ponto o dono pediu a revista de volta e tive que devolver. Nunca mais achei essa edição, nem mesmo em sebo, mas ela foi essencial para que eu me tornasse leitor de quadrinhos.

Os pilares da terra


Em Os pilares da Terra, Ken Follett construiu uma obra grandiosa, uma verdadeira saga em torno da construção de uma catedral na Inglaterra do século XII.
A história se passa entre os anos de 1123 e 1174. É um período de transformações que irão se refletir principalmente na arquitetura. Até então, as catedrais eram edifícios atarracados, de paredes grossas e janelas pequenas, locais escuros e insalubres. Aos poucos irão se transformar em imponentes edifícios esbeltos, belos, altos, com amplas janelas enfeitadas de vitrais coloridos que filtravam a luz do sol provocando grande deslumbramento nos que as visitavam.
Follett foca sua narrativa na construção de uma catedral fictícia, Kingsbridge e em um homem, Tom Construtor. Mas a narrativa envolve também uma ampla variedade de personagens, do prior de Kingsbridge a uma mulher que se refugiou na floresta depois de amaldiçoar pessoas poderosas que haviam condenado seu marido à forca. É também uma saga que se desenrola por décadas, o tipo de livro no qual vemos os personagens nascerem, crescerem, envelhecerem, acompanhamos seus sonhos, suas frustações e vitórias.
Concentrando tudo, como personagem principal, a catedral. O autor mostra como a construção de uma igreja de tamanha envergadura muda tudo ao seu redor: do comércio que se desenvolve aos conflitos palacianos que se desenvolvem (um dos vilões do livro é um bispo, que jura impedir a construção).
Follett maneja bem duas instâncias aparentemente opostas: a realidade e a ficção. Assim, ele mistura fatos e personagens reais (o mártir São Tomás Becket merece toda uma sequência) com pura ficção. Aliás, o romance pode ser visto ele mesmo como uma catedral: os fatos e pessoas reais são o cimento, que dão sustentação para os tijolos ficcionais.
A narrativa de Follett passa longe de ser elaborada: ele é um escritor que parece estar mais interessado na costura da trama do que em jogos literários. Isso certamente foi um fator que fez o livro se tornar um best-seller, apesar de seu tema de pouco apelo popular. O roteiro é redondo, sem falhas, com fatos que se encaixam perfeitamente, personagens que parecem não ter importância, mas se revelam fundamentais para a trama e segredos que são revelados no momento exato.
A obra é um verdadeiro tijolaço. São quase mil páginas de texto, mas que prendem o leitor – em especial após o primeiro terço. E, ao final, aquilo que poderia afastar o leitor – os detalhes sobre a arquitetura da época – acaba se transformando em uma atração a mais. Eu, ao menos, fiquei curioso para conhecer mais sobre o assunto.

Um único ponto negativo é a capa pouco inspirada da edição encadernada da editora Rocco. Em um livro sobre uma catedral e seus monges e construtores, usaram a imagem de soldados combatendo em frente a um castelo. 

Betty Boop Poor Cinderella 1934 HD Fleischer Studio's Color classics c...

Como os aliados conseguiram enganar os nazistas na Itália?

Documento fake usando na operação Mincemeat.

Quando, em julho de 1943, as tropas aliadas desembarcaram na Sicília, iniciando a invasão da Itália, foi muito fácil esmagar os poucos inimigos que ainda estavam por lá. A razão disso foi um estratagema que envolveu um defunto e uma carta falsa.
O plano, intitulado Operação Mincemeat (Carne moída) foi idealizado pelos oficiais da força aérea britânica Ewen Montagu e Archibald Cholmondley.
A questão por trás dessa operação é que os aliados já tinham conquistado todo o norte da África. Dali para a Itália o caminho natural era a Sicília, mas a ilha era muito bem guardada por tropas italianas e alemãs. Só um milagre os tiraria de lá. Um milagre ou a idéia de que os aliados viriam por outro lugar. Para fazer com que as tropas do Eixo acreditassem que a invasão se daria pela Sardenha, ilha ao norte da Sicília, os dois oficiais prepararam cartas falsas, com essa informação. Havia dois problemas. O primeiro era como fazer essas cartas chegarem aos alemães e a segunda era como fazer com que eles acreditassem no engodo.
Para que o plano desse certo, foi inventado um oficial britânico, o major William Martin, cujo navio afundaria enquanto estivesse levando os planos para as tropas britânicas na África. Para fazer o papel do major eles usaram o corpo de um indigente que morrera de pneumonia. Seu pulmão estava cheio de água, da mesma forma que estaria se ele tivesse morrido afogado.
O major recebeu uniforme, indentidiade militar e uma pasta, acorrentada a seu pulso, com cartas pessoais e objetos pessoais.
Assim que terminaram de caracterizar o defunto, ele foi solto por um submarino nas proximidades da costa da Espanha, que não estava em guerra, mas tinha boas relações com o Eixo.

Os peritos alemães não duvidaram da autenticidade do material e as tropas foram deslocadas para a Sardenha. 

domingo, junho 18, 2017

Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

O uivo da górgona - parte 74

74
Os outros os esperavam no primeiro andar.
- Tentei convencê-los que era perigoso. – resmungou Edgar. Mas não me deram ouvidos.
Jonas fez que sim com a cabeça e apontou para escada rolante:
- Vamos subir logo para a praça de alimentação. Lá é mais seguro e este aí parece estar com fome.
Edgar concordou e logo o grupo estava subindo as escadas. Tinham colocado várias cadeiras ao redor da escada, tanto em cima quanto embaixo. Depois que passaram todos, as cadeiras foram sendo colocadas por Edgar, com ajuda de Alan.
Quando o professor subiu, o cheiro de hambúrguer enchia a praça de alimentação. Jonas preparou o que poderia ser chamado de um X-tudo e mais um pouco: um sanduíche com tudo que acharam na lanchonete. No final, dera uma pilha de quase quinze centímetros
O mendigo mal pegou a guloseima, começou a comer desesperadamente, lambuzando-se com o molho e a gordura.

Enquanto todos observavam aquele verdadeiro espetáculo, Edgar chamou Dani num canto. 

skreemer: a história de um gigante

Existem obras que, pela qualidade visual e literária, transformaram os quadrinhos na nona arte. Um exemplo disso é a minissérie Skreemer, de Peter Milligan (texto) e Brett Ewins (desenho). Os dois produziram uma obra que, embora tenha tido inspiração na literatura, não caberia num livro.
O tutor literário de Milligan é James Joyce, autor de Ulisses. Foi no livro Finnegan´s Wake que o roteirista se baseou para escrever sua HQ. Por sua vez, o livro de Joyce é uma referência a uma canção popular irlandesa, na qual um homem volta do mundo dos mortos após levar um banho de uísque.
Na história em quadrinhos, os EUA são dominados por gangues, que governam o país. O maior dos chefões é Sreemer, um homem frio, atormentado pelo destino.
Quando a história começa, a império de Skreemer está desmoronando. As outras quadrilhas o cercam, preparando-se para lançar o ataque final. Mas o gigante não pretende cair. Para isso, ele lançará sobre a cidade balões com um novo tipo de doença, contra a qual apenas ele tem a cura. Isso criará a instabilidade necessária para que a era da queda se perpetue.
Toda a história (seis capítulos) se passa na meia-hora, no máximo: enquanto espera a concretização de seu plano, Skreemer se lembra de seu passado. É aí que entra o grande charme de Skreemer: os flash backs. Fora a meia-hora de espera, todo o resto são lembranças do gangster.
Milligan ainda meteu pelo meio a história da família Finnegan, cujo patriarca se orgulha de ter o nome ligado a um livro de James Joyce que, como a vida, andava em círculos e era complicado demais para se entender.

Essa trama é usada para discutir, entre outros assunto, o destino, cuja mão implacável parece governar a todos. Skreemer se torna um MacBeth moderno, um monarca atormentado pelo estigma da traição e da queda, lutando para romper um futuro que parece inevitável. Mais que uma boa história em quadrinhos, Skreemer é um exemplo de como os quadrinhos superam, em alguns sentidos, até mesmo a literatura. A alternância entre cenas do presente e do passado é feita através de mudanças de coloração (opaca nos flash backs). Texto e desenho se unem para transmitir uma mensagem que permite várias leituras. 

Como foi a participação do Brasil na II Guerra?


Os mais de 25 mil soldados brasileiros que desembarcaram na Itália em junho de 1945 não eram ume exército experiente. A maioria vinha de famílias humildes e tinha pouco treinamento. Além disso, o uniforme era inadequado para a temperatura, uma vez que a Europa vivia o pior inverno dos últimos 50 anos.
Com medo e com frio, os soldados brasileiros tiveram que aprender a lutar no front.
Apesar das dificuldades, os brasileiros eram conhecidos pela coragem. Conta-se de um oficial norte-americano teria declarado que os brasileiros eram verdadeiros “demônios”, avançando contra o inimigo. Os brasileiros, com seu jeitinho, também se sobressaiam quando a situação não se encaixava nos manuais. Quando os aliados conseguiam um rádio nazista, geralmente era um brasileiro que primeiro conseguia operá-lo.
O Brasil venceu importantes batalhas, como a de Monte Castelo e Montese. Também fizeram prisioneiros um batalhão alemão inteiro, façanha que não foi repetida nem pelos militares norte-americanos.

Os aviadores brasileiros também tiveram destaque nos ataques aliados. Os aviões brasileiros traziam o desenho de um avestrus e a expressão “Senta a pua!”. 

Homem-pássaro


Homem-pássaro foi um desenho animado criado pelo lendário Alex Toth para a Hanna-Barbera. Foi exibido entre 1967 e 1969 no canal NBC.
O personagem era um super-herói que combatia o crime a serviço de uma sociedade secreta, com ajuda de seu ajudante Birdboy e da ave Vingador.
O herói tinha os seguintes poderes:
Absorção solar espontânea: capacidade mágica de absorver energia solar e converter em vigor corporal, resistência física a danos físicos, gerar potentes raios de calor concentrado através das mãos e dedos, controlar a temperatura de um ambiente ou equipamento e produzir um “escudo” solar protetor de grande resistência contra ataques.
Voo: por possuir um par de asas é possível alçar grandes alturas e impulsionar-se através do ar em qualquer direção.
Regeneração ou fator de cura solar: capacidade de curar ferimentos e restaurar a própria saúde em alta velocidade desde que exposto à luz solar.
Capacidade de se comunicar com a ave Vingador.

No Brasil a série passou pela Band, pela Globo, e  pelo SBT. 

sábado, junho 17, 2017

O uivo da górgona - parte 73

73
Jonas e Alan saíram correndo pela rua, enquanto os outros olhavam pela janela. Corriam e gritavam, mas o mendigo ia se afastando e parecia não tê-los percebido.
Finalmente, Alan, mais rápido, alcançou-o e tocou em seu ombro.
O mendigo virou-se mais rapidamente do que era de se esperar e brandiu o cajado. Se Alan não tivesse se desviado a tempo, teria acertado diretamente sua cabeça.
A distância parecia um velho, talvez de sessenta anos, mas agora via-se que era bem mais jovem, certamente com menos de cinquenta anos.
O homem ficou lá, parado, batendo no ar com o cajado e emitindo resmungos incompreensíveis. Quando viu Jonas, pareceu ainda mais assustado.
Jonas aproximou-se lentamente, as mãos espalmadas na frente do peito, para mostrar que não estava armado.
- Calma, viemos em paz!
Mas o outro não respondeu. Ao contrário, grunhiu, arregrando os dentes por trás da barba enorme e desfeita.
-  Ele é surdo! – concluiu Jonas.
Teve uma ideia: mudou o gesto para a os dedos na direção da boca, como se estivesse comendo. Isso pareceu fazer efeito. O outro arrefeceu com a clava e olhou, intrigado. Jonas sorriu, fez de novo o gesto e apontou para trás, para o shopping.
- Temos comida. – disse, mesmo sabendo que o outro não ouviria. No fundo, esperava que ele pudesse de alguma forma compreender seus movimentos de lábios.
O mendigo repetiu o gesto de comer e grunhiu e Jonas soube que tinha conseguido se comunicar. Virou-se para Alan e, indicando com os olhos, colocaram-se na direção do shopping.

O mendigo foi atrás. 

Qual é o melhor jogo sobre a II Guerra mundial?


O melhor jogo é Medal of Honor, desenvolvido pela DreamWorks Interactive e idealizado por Steven Spielberg. O jogo foi lançado em 11 de novembro de 1999, na esteira dos sucessos do filme O resgate do soldado Rian e da série  Band of Brothers.
Medal of honor reproduz com perfeição as grandes batalhas da II Guerra Mundial. Uniformes, armas e blindados foram pesquisados para que o jogo fosse o mais real possível.
Um dos melhores momentos – e também um dos mais difícieis – é a fase que reproduz o Dia D. Quem assistiu ao Resgate do Soldado Ryan perceberá imediatamente a semelhança entre as cenas.
No estilo primeira pessoa, o vídeo-game faz com que a pessoa se sinta como um soldado, Jimmy Patterson, ligado à OSS, uma organização secreta dos EUA.
O objetivo é completar diversas missões, como sabotar tanques, caminhões e roubar planos secretos. A semelhança histórica e a excelente jogabilidade fizeram com que o jogo se tornasse um sucesso, originando vários jogos semelhantes.

Na Alemanha o jogo causou controvérsia por apresentar suásticas, um símbolo proibido no país, mas o contexto não é de exaltação ao nazismo. Ao contrário, o legal é justamente ter a chance de matar alguns (ou muitos) nazistas.

1963: Alan Moore reinventa o passado

A minissérie 1963 surge num contexto muito específico. Em 1993, Alan Moore estava há anos sem escrever super-heróis e brigado com as duas principais editoras do gênero, a Marvel e a DC. Nesse período (mais especificamente em 1992), alguns dos desenhistas mais populares da Marvel abandonaram a editora para criar a Image Comics. Aproveitando a especulação dos fãs, que comprovam muitas vezes vários exemplares do mesmo número esperando que os gibis valorizassem, a Image teve vendas estrondosas, tornando-se a terceira editora norte-americana.
Nesse ano, Jim Valentino, um dos sócios da Image, convidou Steve Bissette (antigo colaborador de Moore no Monstro do Pântano) para desenhar um número de seu personagem ShadowHawk. Bissette fez o convite para que Moore escrevesse o roteiro.
Só então Alan Moore resolveu ler os gibis da Image e o que viu não o impressionou. Faltava roteiro e os personagens eram todos violentos e anatomicamente distorcidos. Moore percebeu que parte da culpa dos quadrinhos terem entrado nesse caminho, de heróis violentos, cínicos ou simplesmente depressivos era de Watchmen e decidiu que precisava fazer algo para devolver aos quadrinhos seu lado divertido. Além disso, havia a possibilidade de colaborar com uma editora que estava pisando nas duas principais companhias de quadrinhos.  
Embora não tenha aceitado o convite para escrever ShadowHawk, Moore propôs à editora uma missérie em seis capítulos chamada 1963, com personagens que mimetizavam os heróis da era de prata dos quadrinhos (deveria existir um sétimo capítulo especial, em que esses personagens clássicos se encontravam com os heróis da Image, mas esse final se tornou inviável quando os sócios da editora começaram a brigar entre si).
1963 era um pastiche das histórias da Marvel do início da década de 1963, em especial as escritas por Stan Lee e desenhadas por Jack Kirby e Steve Ditko. O nome, aliás, era uma referência ao ano de maior criatividade dessa editora, em que vários heróis foram criados.
Cada número da minissérie era referência a uma ou mais publicação da Marvel. Assim, Mystery Incorporated era o Quarteto Fantástico. Fury era uma mistura de Homem-aranha e Demolidor. Tales to Atomish foi homenageada em Tale from Beyond (com histórias de N-man, uma espécie de Hulk) e Johnny Beyond (referência direta ao Dr. Estranho). Tales of Suspense deu origem a Tales of Uncanny, com USA (Ultimate Special Agent), um pastiche do Capitão América e Hypernaut, uma espécie mais elaborada de Homem-de ferro. Horus – lord of Light é Thor, o deus do trovão. Finalmente, Tomorrow Syndicate é a versão 1963 dos Vingadores, unindo a maioria dos personagens anteriores em um só gibi.
Moore 1963 imitou meticulosamente as publicações da Marvel da década de 1963. No ano que foi publicado, 1993, as revistas da Image e depois da Marvel e da DC se destacavam pelas capas em alta gramatura, coloração por computador e impressão de altíssima qualidade. Moore resgatou o papel jornal, as capas em baixa gramatura e, principalmente, a coloração reticulada, típica da década de 1960. Além disso os títulos, desenhados a mão, mimetizam a tipografia extravagante dos gibis da época.
Os créditos imitam o marketing pessoal usado por Stan Lee nas revistas da Marvel. Assim, por exemplo, na revista Mystery Incorporated, trazia o seguinte crédito: “Sensacional roteiro pelo afável Al Moore”.
Para tornar autêntico até mesmo o processo criativo, Alan Moore abandou o roteiro “full script à prova de desenhista”, em que cada quadro é minunciosamente descrito, em favor do Marvel Way, providenciando apenas um plot entregue aos desenhistas, sendo colocados textos e diálogos posteriormente, como era feito por Stan Lee.
Outro fator relevante de verossimilhança (e. ao mesmo tempo, ironia) eram as propagandas, que mimetizam não só o estilo dos anúncios da Marvel da época como também o clima da guerra fria. A revista Tales of Uncanny traz o anúncio de um pôster de monstro que tem as feições de Stalin (o texto diz que também existe a versão Lenin). Um anúncio publicado na revista The Fury tenta vender um submarino nuclear por apenas 6,98 dólares.
Esses anúncios falsos são misturados com anúncios reais, de camisetas com reproduções das capas e de lojas de quadrinhos. Um deles, da loja Moondog´s, diz: “O poderoso místico Moondog prediz:   No futuro haverá lojas que venderão apenas gibis!”.
Alan Moore não poderia esquecer da sessão de cartas. Na maioria das vezes, o próprio autor escrevia as cartas e as respostas, mas algumas pessoas resolveram “entrar na brincadeira”, incluindo o roteirista Neil Gaiman, que se faz passar por um garoto fã dos personagens que se oferece para revisar os roteiros sempre que eles passarem na Inglaterra e aponta erros, como uma história de Johnny Beyond que mostra a Rainha da Inglaterra morando no Big Bem e policiais britânicos usando armas de fogo.
A imitação era tão perfeita que um leitor desavisado poderia imaginar que estava, de fato, diante de um gibi da década de 1960.

Por conta da briga entre os sócios da Image, a mini acabou não sendo finalizada e, provavelmente por isso, nunca foi publicada no Brasil. É, no entanto, um dos trabalhos mais geniais de Alan Moore. 

sexta-feira, junho 16, 2017

O uivo da górgona - parte 72

72
A horda se juntara ao redor da porta e a pressionava irracionalmente. Do outro lado do vidro, Edgar, Jonas e Alan viram as dezenas de pessoas se contraindo contra o vidro, esmurrando-o, jogando-se contra ele.
- É blindex. – disse Edgar. Mas não sei quanto tempo vai aguentar. 
Jonas se virou para Alan e o empurrou.
- Está vendo o que fez, idiota? Agora todos nós estamos em risco!
Alan encarou-o, os olhos crispando, e devolveu o empurrão.
- Eu sou o idiota? Quem foi o gênio que teve a ideia de matar dezenas de zumbis?
- Eles poderiam subir!
- Porra, era só fechar a maldita porta com essa tranca de madeira! Eles nunca iam tentar subir.
- Isso você diz!
- Os dois parem! Melhor continuar o show lá dentro. Pouco me importa quem está com a razão, mas a briga de vocês está deixando os zumbis ainda mais descontrolados.
Quando entraram no saguão do primeira andar, os outros estavam esperando por eles. Sofia correu e abraçou Edgar, enquanto Dani fez o mesmo com Alan.
- Deu errado? – perguntou Zu.
- Sim, muito errado. – respondeu Jonas.
- Eu imaginei que daria. Mas os machões não iam me dar ouvidos...
Edgar pegou a menina nos braços:
- Escutem, Jonas tinha suas razões. De fato, os zumbis lá embaixo seriam sempre um perigo...
- E agora são um perigo ainda maior. – atalhou Alan.
- Não é hora de discutirmos se alguém estava certo ou errado. O que temos que decidir é o que fazer agora.
- Vamos ter que isolar o primeiro andar. – concluiu Jonas. Há o acesso das escadas e das escadas rolantes.
Edgar concordou:
- Sem dúvida. Podemos empilhar cadeiras e outras coisas, principalmente nas escadas. As escadas rolantes são menores e mais fáceis de defender. Podemos deixar uma proteção menor nelas, caso seja necessário descer ao primeiro andar.
Os outros concordaram com resmungos e em seguida começaram a procurar nas lojas ou corredores qualquer coisa que pudesse ser usada para bloquear as escadas normais: cadeiras, mesas, stands, qualquer coisa que pudesse ser carregada e colocada como obstáculo.
Passaram a manhã nisso. Já próximo à hora do almoço, Dani se aproximou da janela de vidro e espantou-se:
- Ei, vocês! Venham ver isso!
O grupo correu para a imensa janela de vidro e o que viram parecia surreal: um mendigo percorria a rua totalmente vazia, alheio a tudo. Vinha despreocupado, segurando um cajado, como se não houvesse qualquer tipo de risco.
- Precisamos chamar ele. – decidiu Zu.
Dani fez uma careta:
- Um mendigo?
- É um sobrevivente. Temos que chamá-lo.
Edgar coçou o queixo:
- Temos que pensar nisso. Roberto nos mostrou que não devemos nos aproximar de todos os sobreviventes. Alguns deles podem ser mais perigosos que os zumbis lá embaixo.

- Melhor decidirem logo. Ele está indo embora. – anunciou Alan, olhando pela janela. 

Qual a relação da Coca-cola com o nazismo?


A Coca-cola vendeu refrigerantes para a Alemanha nazista até pouco antes dos EUA entrarem em guerra.
O presidente da Coca chegou a assistir a Olimpíada de 1936 ao lado do fuhrer.
Um concorrente descobriu que um dos diretores da Coca era um judeu e fez intensa campanha contra a empresa na Alemanha. A coca se negou a demitir o diretor judeu, mas fez de tudo para agradar os nazistas. Nas reuniões da empresa na Alemanha havia até bandeiras com suásticas.

Posteriormente, quando os EUA declararam guerra à Alemanha, a empresa rompeu relações com o Eixo e ligou-se diretamente ao governo norte-americano, aproveitando a investida Aliada para conquistar mercados. Conforme as tropas avançavam, vinham atrás fábricas da Coca-cola. 

Propagandas antigas_Anos 60

Terra de gigantes


Terra de gigantes foi o mais audacioso, criativo e caro projeto de Irwin Allen, o produtor de vários seriados de sucesso da década de  1960, como Viagem ao fundo do mar e perdidos no espaço.
A história se passa no ano de 1983, quando uma nave terrestre é envolvida por uma névoa magnética e transportada para um planeta 12 vezes maior que a Terra.
A nave ficou avariada, impossível de regressar, iniciando uma série de perigosas aventuras para os seus sete passageiros.
Os gigantes, em sua maior parte, são seres perigosos e desejam capturar os “Pequeninos”, como costumam chamá-los, a todo custo, visto que a tecnologia dos gigantes está 50 anos atrasada em relação à Terra. Logo no dia em que os Pequeninos chegam ao planeta,  já são vistos pelos gigantes e se tornam interessantes para estudos de cientistas, para servirem de brinquedo, ou mesmo para gerar lucro, como em um circo, por exemplo.
A população do planeta é controlada por um Regime Autoritário de Poder, muito assemelhado a ditaduras, que na época em que a série foi gravada, eram mais numerosas que nos dias atuais. Com isso, as histórias de Terra de Gigantes foram críticas evidentes ao autoritarismo.
Curiosidades
- Para dar maior impressão de que os atores gigantes realmente tinham alguns metros de altura, as cenas eram filmadas de baixo para cima, a uma certa distância.
- A maquete da nave Spindrift tinha praticamente 1,80m de comprimento e contou com peças já utilizadas em outras produções da Fox. Os assentos da cabine, por exemplo, foram usados no filme “O Planeta dos Macacos” (1968). Por sua vez, partes originais da Spindrift foram reutilizadas no filme “Cidade Sob o Mar” (1970).
- A equipe de criação e design era muito competente e conseguiu reproduzir bem alguns objetos em grandes dimensões, como hidrantes, câmeras, coleira de um cão, um esfregão ameaçador, tubos de ensaio, uma galinha com fome, drenos, rédeas de um cavalo, entre outros, mas quando um gigante pegava um pequenino, era sempre uma mão mecânica.
A série Terra de Gigantes foi retransmitida para mais de 80 países, incluindo da América Latina. No Brasil, a estreia foi pela TV Record de São Paulo, no dia 2 de março de 1969, às 18h30, um domingo.
Por volta de 1974, passou a ser exibida pela Rede Globo e, anos depois, pela TV Tupi.

quinta-feira, junho 15, 2017

Quem foi Olga Benário?


Olga Benário foi um agente soviética que ajudou Luís Carlos Prestes a voltar clandestinamente para o Brasil, em 1935, organizando aqui o movimento comunista.
Olga nasceu na Alemanha e ingressou no movimento comunista com apenas 15 anos. Atuou em Berlim, junto com o namorado Otto Braun, experiente militante comunista. Acabou sendo presa, mas foi depois solta e realizou um atentado contra a prisão, liberando seu namorado. Em seguida os dois fugiram para a URSS. Lá ela recebeu a missão de acompanhar Prestes ao Brasil, passando-se por sua esposa, mas acabou se apaixonando por ele de verdade, tanto que resolveu ficar no Brasil e ajudar Prestes na sua tentativa de derrubar a ditadura de Getúlio Vargas, implantando um governo revolucionário.
Olga foi presa e deportada para a Alemanha, sua terra natal. Ela estava grávida e deu à luz numa prisão alemã. A grande custos manteve sua filha ao seu lado, até conseguir entregá-la à mãe e à irmã de Prestes. As duas começaram um movimento internacional pela libertação de Olga, mas não conseguiram seu intento.  
Olga foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg, de onde logo depois seria transferida para o campo de concentração de Ravensbruck. Lá, as prisioneiras viviam sob semi-escravidão e eram realizadas experiências monstruosas conduzidas pelo médico Karl Gebhardt.

Em fevereiro de 1942, um pouco antes de completar 34 anos, Olga foi enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde acabaria morrendo numa câmara de gás.