quarta-feira, março 29, 2017

Por que Hitler fez um acordo com a Rússia?

Os nazistas sempre foram inimigos ferrenhos dos comunistas. Além disso, Hitler considerava os eslavos um raça inferior e via na imensa Rússia uma fonte inesgotável de recursos naturais. Então o acordo dele com Stalin pegou a todos de surpresa e muitos se perguntaram o que estava acontecendo.
Na verdade, Hitler queria neutralizar a URSS enquanto expandia seu território e aumentava seu próprio poder, preparando caminho para uma futura invasão em território russo. Por enquanto, a prioridade era a Polônia e nesse momento a diplomacia valeria mais que as armas. Para negociar, Hitler encontrou a figura ideal no negociante de vinhos Joachin von Ribbentrop, um homem viajado, que sabia várias línguas e tinha grande lealdade ao fuhrer.

Pelo acordo, os dois países não só declaravam não atacar um ao outro, como ainda dividiam a Polônia. A alemanha ficaria com a parte oeste, de 127 mil quilômetros, contendo a maioria das indústrias do país, e os russos ficariam com a parte leste, de 123 mil quilômetros, contendo a maior parte das reservas de petróleo. 

O uivo da górgona - parte 23


23
- A menina precisa das roupas e outras coisas pessoais. – traduziu Jonas.
- Você sabe me indicar onde fica sua casa?
A menina fez que sim com a cabeça, adivinhando o que ele falava pela leitura labial.
- Aquelas coisas ainda podem estar lá fora. – argumentou Jonas, a expressão preocupada.
- Vamos de carro.  E precisamos ver se isso foi em outros locais da cidade. Seria bom saber se há outras pessoas como nós...
- Há outra coisa que me preocupa. O caminhão de som pode voltar. Se nos encontrar no meio da rua...
- Você e a menina são imunes.
- Você não.
Edgar esperou o sinal e ligou o motor. Sabia que sons atraiam os zumbis e, embora seu carro fosse relativamente silencioso, não queria correr riscos. Jonas permanecia no portão, olhando para fora, atento a qualquer movimento.
- Venha!
O professor engatou a ré e saiu a toda. Surpreendeu-se com isso. Soltou tão rapidamente a embreagem que o carro quase morreu. Quando se viu na rua, endireitou o veículo, pronto para sair, enquanto Jonas fechava o portão.
No momento em que o outro entrou e fechou a porta, engatou a primeira e saiu. Foram inicialmente lentos, olhando ao redor. Não havia qualquer movimento na rua, parecia que até mesmo os cachorros e gatos haviam sumido. De tempos em tempos se deparavam com enormes manchas de sangue e restos de roupas nas ruas. Em certo ponto encontraram um carro virado e carbonizado.
Já tinha percorrido umas dez quadras quando Edgar deu um soco no volante a praguejou:
- Droga!
- O que foi dessa vez? – indagou Jonas.
- A gasolina está acabando. Eu devia ter enchido o tanque ontem, mas esqueci. Vamos ter que parar para abastecer.
- Isso pode ser perigoso.
- Muito. Mas não temos outra opção. Felizmente tem um posto ali na frente.
O posto estava lá, completamente deserto. Havia um carro ao lado de uma bomba e a mangueira havia sido deixada no tanque, ligada, de modo que a gasolina se espalhava pelo chão.

- Cuidado aí. Isso é uma bomba-relógio. Qualquer faísca pode provocar um incêndio. – advertiu Jonas. 

Pérolas do Vestibular


Volta às aulas é tempo de lembrar que nem sempre ensino é sinônimo de instrução. Prova disso são os recentes acontecimentos envolvendo analfabetos que conseguiram passar em vestibulares (incluindo um que ficou como nono colocado no processo seletivo da Estácio de Sá para o curso de Direito) demonstraram a importância da redação em qualquer processo seletivo.

Apesar do caráter subjetivo, é a redação que serve de crivo, selecionando os candidatos que realmente têm condições de fazer um curso superior. 

Abaixo relaciono várias pérolas encontradas em redações de vestibulares. Algumas delas são apenas engraçadas, mas outras se aproximam muito do analfabetismo e, se não fosse a obrigatoriedade da redação, seus autores poderiam ser selecionados. 

A grafia está exatamente como no original. 

Eis as pérolas: 

"Em que nível chegamos? Num oltidor da ipocrisía, sabia-se há pouco tempo que o homem era a única espécie racista, nos enganamos, pois existem animais que bem treinados chegam ao ponto cume do racismo"

"Desde a Grécia o esporte é arriscado; ao perderem os jogos os competidores eram jogados aos leões"

"A sua reação foi o que todos esperavam, calei a boca e sair. Mais com a ajuda o meu irmão, que, falou a ele para procurar os seus direitos como um cidadã. Eles foram a uma defensoria pública e fizeram uma dênuncia, onde ele é um cidadã como complidor os seus direitos"

"Senhor ministro, tendo em vista sua grande altitude em censurar programas de televisões, devendo ter tido pelo almenos o respeito por nos o povo"

"As cenas exaustas como sexo, beijo na boca, violência e brigas é de fato vulnerável, mais a proibição de se apresentar na televisão no meu vê não deveria ser proibido, pois é com elas no dias futuros, serão nosso governantes pela formação e conhecimento"

"Isto já vem dos nossos avós pré-história onde vencer significava ter comida para sobreviver e perder significava ser almoço de algum animal. Ele tinha que correr mais rápido para não ser refeição. A natureza se encarregava de fazer a seleção natural dos mais velozes"

"O esporte está sendo uma maneira de socorro para muitos atletas"

"A vontade de vencer é bruscada de maneira ofegante pelos atletas"

"A TV vem explicitando cenas de alta periculosidade em termos de censura"

"Venho através desta manifestar a minha idignação pelo que vem acontecendo nessas redes de informação através da livre censura da televisa"

"Os programa de TV viraram abusos da moral infantil"

"Cabe ao senhor tomar uma altitude censata"

"As emissoras de televisão exageram com todas as liberdades de censura que posso perceber"

"O lugar de melhor poste faz a pessoa se achar diferente"

"E quando vinhesse aquelas perguntas de atormenta as nossas cabeças"

"E uma negação tem gente opondo violência, na cabeça infantil apesa dessa norma errada jamais poderia ser um alvo para os menores de 14 anos e por isso se demonstra um mundo cruel de revoltas"

"família sem laços a muitas por ai exemplo a minha família o meu pai quando chjega da rua em cãs chá chega esculhambando com todo mundo e fagabundo que ninguém quer saber de trabalhar que todo mundo que fica deitado dormindo que so ele trabalha que todo mundo fai ficar burro e que todo mundo fai buchar carroça isto não se fala nem para um animau mais um fou mostrar para ele que não é que ele fala e por isso que eu fou estudar e trabalhar para ele parar de ficar falando que todo mundo e isto e aquilo"

"Concordo plenamente a favor da campanha tomada contra a censura aos programas de televisão brasileira"

"O esporte é uma arte aspirada por muitos em todo o mundo, e tem como finalidade maior a vitória, mas sem deixar de lado a disputa"

"Venho por meio desta argumentar a minha indignidade sobre a censura na mídia"

"As competições tornaram-se casos de disputa para saber quem é o melhor"

"Às vezes essa disputa se transforma em uma guerra, onde as conseqüências são catastróficas, que muitas vezes leva a morte de alguém, quando não morre fica grave, aí e que vamos Pará para pensar nas conseqüências" 

terça-feira, março 28, 2017

Grafipar, a editora que saiu do eixo


No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

O que era o III Reich?

Hitler dizia que a alemanha, sob sua liderança, chegaria ao terceiro Reich, um império global destinado a durar mil anos. O primeiro reich foi o império romano-germânico, que durou de 962 a 1806. Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, estabeleceu o segundo Reich, que durou de 1871 a 1918, quando a alemanha foi derrotada na I Guerra Mundial.
Em 1933, Hitler, conhecendo o amor dos alemães pelos grandes gestos, proclamou o III Reich. O primeiro durara 844 anos, o segundo 47, o terceiro duraria mil anos.
De fato, o crescimento econômico da Alemanha e as primeiras vitórias militares fizeram com que muitos acreditassem no estabelecimento de um duradouro império germânico.

No entanto, a partir das primeiras vitórias aliadas na II Guerra Mundial, ficou claro que o III Reich não seria tão longivo. De fato, de todos os três Reich, ele foi o mais curto (12 anos). 

Edrell: a gênese do mangá no Brasil

                
Uma das mais interessantes e revolucionárias editoras de quadrinhos do final dos anos 1960 foi a Edrel.
            A editora surgiu de outra, a Pan Juvenil, que devia muito a agiotas. Os sócios Salvador Bentivegna e Jinki Yamamoto convidaram Minami Keizi, que havia produzido um álbum de quadrinhos e literatura que tinha forte influência do mangá (quadrinhos japoneses) para ser sócio na empresa nova chamada Editora Edrel.
            Um artista do interior de São Paulo, Cláudio Seto, foi chamado para cuidar da revista Humor Negro. Minami Keizi fazia sucesso com seu personagem Tupãzinho, com roteiro dele e desenhos Fabiano Dias. O personagem era tão popular que o autor chegou a receber convite para publicar pela editora Abril, mas não quis. Preferiu engordar sua editora investindo no filão infantil. Seto criou o personagem Flavo para a revista Ídolo Juvenil. Era um misto de ficção com conto de fadas, criado na esteira do sucesso das revistas Contos de Fadas e Varinha Mágica, que a editora Outubro havia lançado anos antes. Mas tanto Humor Negro quanto Ídolo Juvenil haviam chegado nas mãos de Seto na fase de decadência. Seto reclamou e Minami sugeriu que ele apresentasse projetos de outras revistas.
            O desenhista lembrou-se dos mangás que lia e propôs uma revista de Ninja e outra de Samurai. O dono da editora gostou e marcou o lançamento para dali a 30 dias. Seria uma tarefa impossível, se o irmão gêmeo de Seto não tivesse chegado do Japão para ajudá-lo. Os dois eram tão parecidos que trocavam de lugar sem que ninguém desconfiasse.  Minami gostou do Ninja assim que pôs os olhos no trabalho. Era o tipo de HQ infantil que ele queria. O mesmo não pode ser dito de O Samurai, cujos desenhos não lhe pareceram tão bons e tinha como tema o incesto, um tema indigesto para uma época de censura e ditadura militar.
            Eram legítimos mangás brasileiros, lançados três décadas antes dos mangás se tornarem febre entre os jovens ocidentais.
            Para surpresa do dono da editora, a revista que acabou agradando foi justamente Samurai, destinada ao público adulto. Ninja durou apenas quatro número e foi cancelada por baixas vendas.
            A Edrel tinha como principais artistas descendentes de japoneses, e foi nela que muitos deles introduziram a linguagem de mangá na HQB. Além dos dois irmãos Seto, havia Paulo Fukue, Fernando Ikoma e Wilson Hisamoto.
            Seto transformou-se um faz tudo da editora. Além de desenhar e escrever histórias em quadrinhos, selecionava elenco e dirigia a produção de fotonovelas eróticas da cidade Guaiçara, no interior paulista, em plena época de ditadura. A produção de seu estúdio chegava a 150 páginas por mês.
            Foi na Edrel que surgiu Maria Erótica, genial criação de Cláudio Seto. Suas aventuras misturavam aventura, erotismo, humor e mistério e foram publicadas entre 1970 e 1972, em diversas revistas da Edrel.
            A personagem surgiu como coadjuvante da série Zero-Zero Pinga, uma sátira de James Bond. Era uma repórter do jornal Time is Money, de uma Guaiçara megalópole. Fazia parceria com Beto Sonhador, um detetive particular atrapalhado e mulherengo. "A loura Maria é peituda, de pernas compridas e quadris largos, e desnuda-se com freqüência", define Franco de Rosa, no livro As taradinhas dos quadrinhos. 
A personagem não agradou às associações das mulheres católicas, que denunciaram a personagem.
            A polícia invadiu a editora, mas, como não encontraram Seto, que morava no interior do estado, levaram os originais das histórias, colocando-os numa cela.
            A editora, que marcou época por lançar os primeiros gibis de mangás do Brasil acabou fechando suas portas no início dos anos 1970.

            Seto, que morreu em 2008, é considerado o pai do mangá brasileiro. Recentemente seu Samurai foi homenageado no prêmio HQ Mix (o troféu apresentava um busto do personagem) 

Moebius


O uivo da górgona - parte 22


22
Edgar chegou à cozinha e encontrou Jonas e Sofia em volta de um copo quebrado sobre o chão. Uma mancha de água se espalhava ao redor dele. Olhavam para ele como se olhassem para um acidente de carro.
- Eu, eu fui pegar água para a menina, mas... – Jonas mostrou as mãos tremendo.
Edgar tentou tranquilizá-lo:
- Não foi nada. Você está nervoso. Estou tentando ligar. Venham comigo.
O professor voltou para a sala, agora acompanhado pelos dois. O gancho de telefone estava lá, pendurado, como uma cobra, soltado um som insistente: tu tu tu...
Edgar pegou-o, apertou o display e esperou que o sinal surgisse de novo. Então ligou.
O primeiro número que lhe veio à cabeça, por alguma razão, foi de uma professora, amiga de colegiado. Depois que discou, ele se lembrou do número da polícia, 190, mas já estava chamando.
(Atenda, atenda, atenda)
O telefone chamou uma, duas, três e mais vezes, até a ligação cair.
Edgar estremeceu. Isso talvez significasse que sua amiga...
(não, como eles, não!)
Edgar apertou o display, esperou a linha e discou o número da polícia.
O telefone chamou duas vezes e finalmente atendeu.

Houve um segundo de silêncio (que pareceu uma eternidade). Então ouviu-se uma gravação, uma música instrumental, que tocou até que a ligação caísse.
Edgar tirou o fone de ouvido e deixou a mão pender com ele ao longo do corpo, desconsolado.
- Atendeu? – perguntou Jonas, ansioso.
- Nada. Eu tinha esperanças de que... ah, Deus!
O professor levou a mão ao rosto, como se tampar os olhos fizesse a realidade terrível desaparecer.

Quando os abriu de novo, Sofie lhe fazia gestos. 

segunda-feira, março 27, 2017

Quem era o açougueiro?

Açougueiro era o apelido de Heinrich Himmler, um dos mais fieis seguidores de Hitler. Nascido perto de Munique, na Baviera, Alemanha numa família de classe média, foi o filho de um reitor bávaro e estudou na escola de Landshut. Chegou a ser designado para o exército, mas a guerra acabou antes que ele pudesse participar de um combate.
Após a guerra, participou de milícias de extrema direita até ser cooptado pelos nazistas. Ele chegou a participar do putsch de 1923, mas as autoridades o consideraram de pouca importância e Himmler não chegou nem mesmo a ser preso.
Em 1927 Himmler tornou-se vice-comandante das SS, a guarda pessoal de Hitler.  No início esse grupo contava com apenas 280 membros, mas, graças ao apoio de Hitler, foi aumentando seu efetivo até que em 1933 já havia conseguido 5.200 membros. A organização tinha severos requisitos de aquisição. Todos os seus membros deveriam ser perfeitos arianos. Seu uniforme usava uma camisa preta, para diferenciar da SA, que utilizava camisas marrons.
Em 1934, Himmler organizou e implementou a noite dos longos punhais, operação que matou os principais líderes da SA. Hitler empossou-o como chefe da Gestapo, a polícia política nazista, tornando-se o homem mais temido da Alemanha.
Quando os nazistas resolveram implantar a solução final, Himmler foi um dos seus principais entusiata, responsabilizando-se por diversos campos de concentração.
Muitos o consideravam o principal candidato a suceder Hitler como o Führer de Alemanha.
Em 1945 ele se convenceu de que a vitória alemã seria impossível e tentou negociar uma rendição com ingleses e norte-americanos. Ele esperava convencer os líderes desses dois países a lutarem em conjunto com a Alemanha contra a Rússia. Quando Hitler decobriu, declarou-o traidor.
Sem saída, ele entrou em contato com presidente dos EUA, proclamando que entregaria toda a Alemanha aos aliados se ele fosse poupado de julgamento. Ele inclusive se oferecia para ser Ministro da Polícia da Alemanha pós-guerra, mas sua proposta foi terminantemente recusada.

O ex-chefe da Gestapo passou, então a se disfarçar, pois agora era procurado tanto por alemães quanto por ingleses e americanos. Em 22 de maio ele foi reconhecido em Bremen, na Alemanha, por uma unidade do Exército Britânico. Foi marcada uma data de julgamento, mas ele se suicidou antes do interrogatório engolindo uma cápsula de cineto. 

Como escrever quadrinhos


Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

O uivo da górgona - parte 21


21
O professor ficou ali, parado, ouvindo o som da linha. Esperara tanto por aquele momento, pela oportunidade para falar com alguém e agora não sabia para quem ligar. Nenhum número lhe vinha à mente, como se qualquer informação a esse respeito tivesse sido apagada.
Então ele ouviu um barulho de vidro quebrado. Por alguma razão esse som o arrepiou. Imagens de sua mulher e sua filha vieram para ele como flashes. A filha lhe estendia a mão, a última vez que ele a vira, os vidros quebrados, estilhaçados, e ela estendendo as mãos e chorando.

O telefone ficou lá, um eco contínuo de cacofonia pendurado no gancho, balançando em espirais, enquanto ele corria para a cozinha. 

Ken Parker


domingo, março 26, 2017

O que era um gueto?

A palavra Getto originalmente designava uma ilha em Veneza onde se fabricava peças para artilharia. Mais tarde, quando os judeus venezianos foram obrigados a ir para a ilha para fugir de perseguições, o local passou a designar um local isolado, onde um povo vive confinado.
O termo 'gueto' é um exemplo de como as palavras, em sua viagem pelo tempo, às vezes resultam em um significado inteiramente distinto do seu sentido original. Gueto provém do latim 'jacere' (atirar), que é a raiz de palavras como 'projeto', 'injetar', 'adjetivo' e 'jato'. A palavra veneziana 'getto' era o nome de uma ilha onde existia uma fundição que fabricava peças para a artilharia da cidade. Mais tarde, quando os judeus de Veneza foram obrigados a viver nesta ilha, fugindo de perseguições, o local passou a designar uma zona isolada onde vivia um povo confinado.
O gueto de Veneza era uma área nobre da cidade, para onde iam cidadãos ricos, mas com o tempo a palavra gueto passou a designar locais para onde iam (forçados ou não) grupos étnicos, geralmente em péssimas condições de vida.
Grande parte dos guetos eram criados para judeus, um dos povos mais perseguidos na Europa. Até mesmo papas chegaram a criar ou recomendar a criação de guetos para a separação da população judaica.

Como os judeus não podiam comprar terras em outros locais, os guetos ficavam estreitos, altos e com casas superlotadas. As condições de higiene deterioravam de maneira assustadora, levando à proliferação de doenças. No gueto de Praga, o cemitério judeu ficou tão lotado que os mortos eram enterrados junto ao chão, sobre sepulturas antigas.  

O uivo da górgona - parte 20


20
Edgar nem mesmo parou para olhar o que o outro tinha feito. Saiu correndo e foi fechar o portão da garagem. De certa forma é como se estivesse se adaptando às coisas e sabia que o mais importante era garantir que nenhum outro zumbi entrasse.
Quando voltou, Jonas olhava para o cabo quebrado, como se fosse uma cobra que o tivesse hipnotizado.
- Eu a matei. – disse, apontando para a mulher caída no chão. Ela parara de estrebuchar e se via apenas alguns movimentos reflexos. Eu a matei!
- Se não fizesse isso, ela faria isso conosco. Agora vamos entrar. Precisamos sair daqui. Vamos, entre.

Sofia agarrou-se à mão de Edgar e entraram na casa pela porta da cozinha, onde deixou a menina. Edgar foi direto para a sala, onde ficava o telefone fixo. Tirou o gancho e respirou aliviado quando percebeu que havia linha.  

Conan

            
       No final da década de 1960 os super-heróis começaram a entrar em crise. O final da era de prata dos quadrinhos foi marcado pelo desaparecimento de várias editoras e títulos. Na década de 1970 começaria a chamada era de bronze. Foi um período em que os editores se viram obrigados a testar novos formatos e gêneros na tentativa de manter o interesse do leitor. Um personagem que encarnou essa época foi Conan, o bárbaro.
                   Conan, criado pelo escritor texano Robert E. Howard, surgiu na história The Phenix on the sword, publicada na revista pulp Weird Tales, em 1932. Na década de 1960 suas histórias foram republicadas, chamando a atenção de Roy Thomas, o roteirista mais importante da Marvel, depois de Stan Lee. Dois resolveram que aquilo daria um bom quadrinho. O dono da Marvel, Martin Goodman, não tinha gostava do personagem. Afinal, ele era amoral, vingativo, ladrão e adorava uma bebedeira e uma orgia. Para quem achava que os quadrinhos eram lidos só por crianças, esse parecia um personagem que não iria agradar. Stan Lee, no entanto, convenceu-o a publicar.
                   Para a desenhar a história foi designado um ilustrador inglês, novo no meio, chamado Barry Smith. Ele fez um Conan com visual art-nouveau que chamou a atenção do público. Apesar do sucesso, Smith acabou abandonando os quadrinhos para se dedicar a outras variantes artísticas. Para substituí-lo foi chamado um veterano da Marvel, John Buscema. Buscema mudou o personagem, tornando-o mais másculo e mais bárbaro, definindo o que seria o visual do personagem dali para a frente. Quando a revista deixou de ser colorida e passou a ser publicada no formato magazine (maior que o dos gibis), as vendas estouraram, pois a revista alcançou um público bem mais adulto, que já tinha desistido de ler super-heróis.
                   O sucesso de Conan também esteve ligado aos ótimos arte-finalistas de origem filipina, como Ernie Chan e Alfredo Alcala, que distanciavam o traço de Buscema daquele que ele usava nos super-heróis.
                   O sucesso absoluto do personagem fez com que surgissem vários outros personagens nos mesmos moldes. No começo, a própria Marvel aproveitou para publicar outros personagens criados por Robert E. Howard, como Kull, o conquistador e Sonja, a guerreira, que fez muito sucesso no traço de Frank Thorne. Tratava-se de uma mulher que só podia entregar sua virgindade ao homem que a vencesse em combate. Como isso nunca acontecia, a história se equilibrava entre a sensualidade e a ação.
                   A DC entrou na onda com O Guerreiro, criação de Mike Grell, sobre um piloto da força aérea norte-americana que vai parar no centro da terra, onde existe um mundo dominado pela espada e pela magia.
                   Na década de 1980 Conan ganhou uma versão cinematográfica, estrelada por Arnold Schwazenegger, o primeiro sucesso cinematográfico do ator.

                   Conan fez um sucesso extremo no Brasil, onde continuou popular mesmo quando a Marvel não estava mais produzindo novas histórias. Por causa disso, as editoras (inicialmente a Abril e depois a Mythos) continuaram a revista apenas com republicações. Depois o personagem foi adquirido, nos EUA, pela editora Dark Horse. As novas histórias, assinadas pelo roteirista Kurt Buziek e pelo desenhista Cary Nord têm conseguido agradar aos velhos fãs. 

sábado, março 25, 2017

Quem era o grande ditador?

O grande ditador foi um filme feito por Charles Chaplin para criticar Hitler e que, segundo alguns, preparou a opinião pública norte-americana, abrindo as portas para a entrada dos EUA na guerra.
No filme, Chaplin representa dois papéis, o ditador Adenois Hynkel e um barbeiro judeu. Chaplin estudou tão minuciosamente os trejeitos de Hitler para imitá-lo na tela que sua visão do ditador é muitas vezes mais lembrada do que a própria imagem de Hitler.
Chaplin inventou uma língua, o tomaniano, que satiriza o discurso histérico do fuhrer. O ditador italiano Mussolini também é satirizado na história.
Na trama do filme, Hynkel pede dinheiro a um banqueiro judeu, mas como não consegue, passa a perseguir esse povo.
Mas um acaso faz com que o barbeiro judeu acabe tomando o lugar do ditador em uma convenção do partido e, o que deveria ser um discurso em prol do ódio, torna-se um discurso sobre a paz e a solidariedade.
A cena mais famosa de O grande ditador é quando Hynkel brinca com o globo terrestre, mostrando a intenção do ditador de dominar o mundo, mas ao final da cena o balão explode e o ditador chora. Nenhuma cena poderia ser mais marcante e representar melhor a crítica de Chaplin.
O filme, claro, provocou a fúria dos nazistas e até o governo norte-americano, que na época tinha relações cordiais com a Alemanha, se sentiu desconfortável com a película.
Chaplin chegou a declarar que exibiria o filme, mesmo precisasse comprar um cinema para isso. Felizmente isso não foi necessário e O Grande Ditador foi um grande sucesso, ajudando a colocar a opinião pública norte-americana contra os nazistas.

Posteriormente, quando soube dos horrores dos campos de extermínio, Chaplin declarou que, se soubesse o que de fato os nazistas fariam, não teria feito uma comédia. 

O uivo da górgona - parte 19


19
Jonas se agitava, tomado pelo pânico e pela surpresa. Provavelmente nunca imaginara que uma mulher magra como aquela pudesse ter tanta força.
Edgar largou a mão de Sofia e avançou. Pensou em pegar a vassoura, mas ela havia caído do outro lado. Teria que dar a volta nos dois para pegá-la e talvez fosse tarde demais. Assim, pulou sobre a mulher a segurou-lhe os cabelos, puxando-a para o lado. Ela largou Jonas, mas rolou pelo chão. Tinha visto uma vítima mais fácil: Sofia.
A coisa foi arrastando-se na direção da garotinha. A menina se encolheu, mas seria rapidamente alcançada.
Edgar nem mesmo pensou no que estava fazendo: pegou a cabeça da mulher e bateu-a contra o chão. A mulher voltou a girar, seu olho agora uma flor enorme de sangue, ainda disposta a atacar, até que seu outro olho foi perfurado.
O professor olhou para o lado. Jonas estava lá, pasmo, com um pedaço do cabo da vassoura partido na mão. O outro pedaço estava cravado no olho da mulher, que estrebuchava no chão.

- Oh, céus! Oh, céus! – repetia Jonas. 

sexta-feira, março 24, 2017

O uivo da górgona - parte 18


18
Sofia soltou um grunhido de susto e Edgar foi obrigado a puxá-la para longe da quina da parede. O zumbi se aproximava lentamente e agora podia ser melhor visto. Era uma mulher de enormes unhas vermelhas e vestido curto sujo e rasgado. O cabelo crespo havia sido alisado e pintado de loiro, mas agora estava desgrenhado como uma teia de aranha. Ela andava com dificuldade em razão do salto alto e caía de tempos em tempos.
O professor olhou para o lado e viu Jonas. Ele se armara com uma das vassouras que eram deixadas do lado de fora. Edgar rezou para que isso fosse suficiente.
Inesperadamente, Jonas saiu de seu lugar e avançou com o cabo de vassoura, atingido a mulher na testa. Ela oscilou para trás, um enorme hematoma se formando em sua pele. Qualquer um teria fugido depois de um golpe daqueles, mas o uivo da górgona parecia ter tirado dela até mesmo o instinto de sobrevivência.
Mesmo com o salto alto, ela avançou com surpreendente velocidade, abrindo e fechando a boca, como se abocanhasse o ar, e levando as mãos em garra. Jonas não esperava por isso e recuou.

A mulher pulou sobre ele, derrubando-o no chão, as mãos em garra rasgando sua roupa, a boca procurando seu pescoço. 

War - histórias de guerra


Tenho para vender um único exemplar do álbum War - histórias de guerra - o último trabalho do gênio Eugenio Colonnese incluindo uma história imédita, escrita por mim e desenhada por ele com lápis. Edição numerada e autografada pelo desenhista e por mim. Valor: 25 reais. Pedidos pelo e-mail: profivancarlo@gmail.com.

O uivo da Górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

quinta-feira, março 23, 2017

O uivo da górgona - parte 17


17
Edgar viu-se empurrado para trás da parede da casa. Pensou em resistir, ou reclamar, mas depois desistiu. Jonas deveria ter suas razões. Só quando estavam escondidos, o outro se deu ao trabalho de explicar:
- Olhe, mas cuidado.
Um dos zumbis circulava pela garagem. Tinha vindo pelo outro lado da casa. Aparentemente o som os transformara não só em monstros assassinos, mas afetara sua inteligência e percepção. Jonas já os vira andando em círculos, como que se quisesse deixar o corpo decidir para onde iria.
Em determinado momento dirigiu-se ao portão e parecia que ia sair, então voltou.

Veio andando ao longo da parede da casa, na direção deles. 

Como funciona o bolsa-empresário?


Kripta

       
Em 1964 as bancas norte-americanas viram aparecer uma revista sobre os filmes de terror chamada Famous Monsters of Filmland (Monstros Famosos do Cinema). O editor era o desconhecido Jim Warren.
       Em certo número de sua revista, Warren publicou uma HQ de terror e ficou esperando a reação. Ele temia que a revista fosse boicotada pelo Comics Code, que regulava os gibis americanos e havia acabado com a editora EC, especializada em terror. O gênero era totalmente proibido, mas ninguém prestou atenção àquela HQ. Warren logo percebeu que o formato magazine (20,5 x 27,5 cm) era visto como sendo para adultos e, portanto, não estava sob controle do código. Era o sinal verde para lançar uma revista só de terror, no novo formato e em preto e branco.
       Assim, no inverno de 1964 surgia a revista Creepy (algo como assustador). No ano seguinte surgia a Eerie, seguindo a mesma linha. As duas revistas juntavam a nata da EC Comcs, com artistas como Joe Orlando, Frank Frazetta e Reed Crandall. Além disso, foram se somando aos poucos novos artistas, como Steve Dikto, Gene Colan, Neal Adams, Richard Corben, Berni Wrightson,  entre outros.
     Para editar as revistas e escrever as histórias foi contratado Archie Goodwin, um roteirista mediano no gênero super-hérois, mas sempre muito criativo em outros gêneros. Posteriormente foi contrato também o editor e roteirista Bill Dubay.
     Na década de 1970, a revista vivia sua fase áurea, mas ao mesmo tempo enfrentava um problema: editoras maiores, como a Marvel, começaram a entrar nesse mercado e a oferecer maiores benefícios aos desenhistas. Então, justamente quando as revistas mais vendiam, começou a faltar mão-de-obra. A solução foi dada por Bill Dubay, que entrou em contrato com um grupo de artistas espanhóis para substituir os americanos que estava debandando. O que era um problema acabou virando a favor da editora: os novos artistas espanhóis contratados eram espetaculares e deram início à fase de ouro da Warren, produzindo as melhores histórias de suspense, terror e ficção-científica da década de 1970. Entre os novos artistas, destacavam-se Esteban Maroto, com um traço psicodélico que foi imitadíssimo na época, e José Ortiz.
     Foi na Warren que surgiu a mais famosa vampira dos quadrinhos (embora não tenha sido a primeira. Esse posto é ocupado por Mirza, do brasileiro Eugênio Colonnese): a Vampirella. A personagem estreou em 1969 e transformou-se logo num sucesso. A roupa foi criada por Trina Robbins, mas a personagem acabou sendo delineada visualmente pelo grande Frank Frazetta. 

     No Brasil, as histórias da Warren foram publicadas na revista Kripta, da editora RGE e durou 60 edições, com grande sucesso. O slogan, usado na propaganda de TV, era ¨Com Kripta, qualquer dia é sexta-feira e qualquer hora é meia-noite¨, tornou-se célebre. 

O que era a SA?

SA era a abreviatura da Sturmabteilung (Divisão de assalto), grupo paramilitar fundado por Hitler em 1921. A SA também era chamada de Tropa de assalto, ou camisas pretas.
Os primeiros membros da SA foram recrutados nas corporações livres, grupos armados, na maioria compostos por ex-soldados, que combatiam esquerdistas nas ruas da Alemanha pós-guerra.
A organização era nitidamente inspirada nos camisas pretas, grupos chefiados por Mussolini na Itália.
A SA protegia as reuniões do partido, marchava em comícios nazistas e batia em oponentes políticos, especificamente comunistas, aos gritos de “Morte à escória vermelha!”.
Depois do fracasso putsch da cervejaria, a SA se dispersou, mas foi reorganizada por Hitler, com a liderança de Ernest Rohm.
Rohm tinha o sonho de transformar a SA na principal força militar da Alemanha. Conseguindo membros entre ex-militares e desempregados, a organização cresceu até chegar a ter, quando Hitler chegou ao poder, dois milhões de membros, vinte vezes mais que o exército regular do país.

A SA foi importante por suas ações de intimidação violenta e perseguição a inimigos e judeus e sua atuação foi fundamental para a ascensão do nazismo. Mas seu gigantismo foi seu fim. Transformado em chanceler, Hitler percebeu que tinha em Rohm um adversário político capaz de efetuar um golpe de estado e arquitetou o fim da SA na operação chamada de “a noite das longas adagas”. 

Lembranças de Carnaval


Todo mundo tem agradáveis lembranças dos carnavais passados: 

- Ah aquele carnaval de 1930, em Petrópolis... Se não fosse a artrite, eu saía de madrinha da bateria este ano... 

- Aí teve aquela loira que... não, a loira foi depois da morena... ou será que era ruiva? Nunca bebi tanto em minha vida... 

É, carnaval sempre traz boas lembranças para todos e eu não seria exceção. Foi durante um carnaval que fui assaltado pela primeira vez...

Era Quarta-feira de cinzas e eu, por alguma razão desconhecida, resolvi devolver um livro na biblioteca. Eu sei, eu sei. Bibliotecas não funcionam na Quarta-feira de cinzas, mas como eu poderia saber? 

Diante da porta fechada, só me restou voltar para a parada e esperar o ônibus. Foi quando aconteceu o assalto. 

Se eu tivesse sido avisado, teria me vestido adequadamente para a situação, mas os dois ladrões não tiveram essa preocupação. Acho que não eram pessoas muito educadas. 

Um deles segurava uma faca e tinha olhos tão vermelhos que eu poderia jurar ter ele mais sangue na cabeça que no corpo todo. Isso, em tese, o faria mais inteligente, mas estou cada vez mais convencido que as teorias não funcionam na prática. Tanto que ele só conseguia dizer: 

- Passa, passa logo! 

- Passa o quê? A carteira? 

- Não, o negócio... 

Ele decididamente não sabia o que queria. Depois de um longo diálogo surrealista, consegui advinhar que ele cobiçava meu relógio. Fiquei indignado! Logo no meu primeiro assalto e o ladrão se interessava apenas por um relógio mixuruca? Resolvi não colaborar. 

Enquanto isso, o outro cavalheiro, armado com um revólver, rendia um taxista. 

- Me dá o relógio! 

- Não dou! 

- Vai dar sim! 

- Não mesmo! 

- Vocês podem apressar isso aí? – gritou o outro, já dentro do taxi. 

O assaltante resolveu apelar. Apontou a faca para o meu pescoço e perguntou: 

- Você quer morrer? 

Enquanto eu pensava no assunto, ele pegou o relógio e saiu correndo. 

Essa foi a primeira vez que fui assaltado. A segunda foi na véspera de natal. A terceira no ano novo... 

Tudo isso me levou a desenvolver um gosto especial por ficar em casa nos dias festivos... 

quarta-feira, março 22, 2017

O uivo da górgona - parte 16


16
Edgar ficou ali, parado, na dúvida. Tinham que entrar. Não podiam ficar expostos na rua, mas e se alguma daquelas... (coisas?) tivesse entrado? Era como entrar em uma armadilha.
Por fim, decidiu-se:
- Vamos.
Apurou os ouvidos, à medida que andava. Sentiu que a pele se arrepiava. Sofia segurava firme sua mão direita. Isso dava segurança para a menina, mas, por outro lado, tornava muito mais difícil a reação, caso houvesse algum ataque.
Avançou pela garagem. A coisa podia estar escondida atrás do carro. Foi avançando, lento, tentando ver algo, até ter certeza de que a garagem estava completamente livre.

- Oh, céus! – disse Jonas, lá atrás, empurrando-os. 

O que é o museu do holocauto?

O Museu do holocausto foi criado por Israel em 1953 em homenagem aos judeus vítimas do genocídio nazista. Além de várias exposições, o museu abriga 55 milhões de documentos, entre eles passaportes, registro de confisco de bens, deportações e papéis que incriminam nazistas e colaboradores. Além disso, o museu com conta com testemunhos de sobreviventes.
O museu conta com um trilho quebrado e um vagão original usado para transporte de judeus para campos de concentração. O vagão está quase caindo num abismo, lembrando que ele era o transporte para a morte.
Outro veículo do museu, mas com significado oposto, é uma ambulância da cruz vermelha sueca. Com o fim da guerra se aproximando, os suecos conseguiram autorização para resgatar pessoas em campos de concentração. 25 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, foram transportados em 36 ambulâncias.
Uma caverna serve de memorial para as 1,5 milhões de crianças judias mortas pelos nazistas. O lugar é iluminado apenas por velas e alto-falantes repetem o nome e a idade de meninos e meninas mortos pelos nazistas. Também há exposições com brinquedos usados como esconderijos de dinheiro e documentos.
Um bosque com 20 mil árvores representa os não-judeus que se arriscaram para salvar vítimas do nazismo. Placas identificam esses heróis. A primeira delas é dedicada a Oscar Schindler, que salvou milhares de judeus, trabalhadores de sua fábrica.

Um salão é o cenário de cerimônias em homenagem aos mortos. Um chama que jamais se apagou fica no centro e no chão estão gravados os nomes de 22 principais campos de concentração. 

terça-feira, março 21, 2017

O uivo da górgona - parte 15


15
Dessa vez foram ainda mais cautelosos ao sair. Jonas levantara a gôndola e empurrara para o lado as coisas que haviam caído – barbeadores, pilhas, colas rápidas. Queria o corredor desimpedido caso precisassem voltar rapidamente.
A rua agora estava vazia. O rapaz com camiseta de rock havia desaparecido e provavelmente havia se juntado ao grupo, se o tivesse alcançado.
- Por ali. – orientou Edgar.
Passaram pela casa fechada que Edgar havia visto antes. O barulho lá dentro continuava. Som de móveis quebrados atravessava o portão.
- Deviam estar com a casa trancada quando aconteceu. – explicou Jonas. Acho que não conseguem abrir portas e grades.
Edgar concordou:
- O instinto deles é sair e se juntar à multidão. Como não conseguem, estão destruindo a casa.
Quando chegaram à frente da casa, Edgar estancou:

- Deixei encostado. O portão não estava aberto dessa forma. 

É verdade que Mussolini era contrário ao holocausto de judeus?

Aparentemente sim. Documentos revelados recentemente pelo Vaticano revelam que o líder fascista mandou uma carta para seu amigo nazista em 1933 aconselhando-o a não se deixar conduzir por uma campanha anti-semita.
Hitler não deu a mínima. As primeira leis anti-semitas e o banimento de judeus do funcionalismo público aconteceram logo em seguida à carta.
Mussolini, ao contrário, manteve judeus em altos escalões do partido fascista até 1938.
Nos campos de concentração italianos as famílias permaneciam unidas, havia escolas e atividades culturais e não existiam câmeras de gás.

As razões de Mussolini tinham pouco a ver com ética e muito a ver com a demagogia. Ele sabia que a população italiana achava absurda as idéias relacionadas ao arianismo e não aprovaria a perseguição declarada aos judeus como aconteceu na Alemanha. 

segunda-feira, março 20, 2017

Baudolino e a obra aberta de Eco


Em Baudolino, Umberto Eco faz o que sempre fez melhor: contar histórias ambientadas na Idade Média. Seu outro grande sucesso, O Nome da Rosa, também acontece na chamada Idade das Trevas e talvez venha daí seu sucesso.

Eco tem outros textos, mais acadêmicos, em que compara a Idade Média com nossa época e diz que as semelhanças são maiores que as diferenças.

De fato, é grande a semelhança do período em que se passa Baudolino (1152 –1204) e os dias atuais.

Na época reinava na Europa o Imperador Frederico, que gastava mais tempo administrando os conflitos entre as cidades italianas do que com qualquer outra coisa. Da mesma forma, os pequenos países do Oriente Médio têm dado grande dor de cabeça para o todo-poderoso de nossa época, o presidente norte-americano George W. Bush.

E, se os italianos tinham o ouro de seu tempo (as especiarias), os mulçulmanos têm o ouro atual (o petróleo).

“Vale a pena viver nessas terras, onde todos parecem ter feito voto de suicídio, e onde uns ajudam os outros a se matarem?”, diz Baudolino, à certa altura do livro. Parece estar falando dos países do Oriente Médio, mas está se referindo à Itália.

Coincidências à parte, o livro vale pela inventividade. A história é contada a partir do relato de Baudolino, um mentiroso por natureza, que acabou sendo adotado pelo imperador Frederico após fazer uma previsão absolutamente falsa: “Quando se diz uma coisa que se imagina, e os outros dizem que é exatamente assim, acaba-se por acreditar nela, afinal. Assim, eu vagava pela Frascheta e via santos e unicórnios na floresta, e quando encontrei o imperador, sem saber quem fosse, falei em sua língua, e disse-lhe que São Baudolino me dissera que ele conquistaria Terdona. Disse-lhe isso para contentá-lo, mas para ele era conveniente que eu o dissesse a todos, e de modo especial aos mensageiros de Terdona, para que eles se convencessem de que também os santos estavam contra eles, eis a razão pela qual me comprou de meu pai”.

O livro começa com Baudolino salvando Nicetas, um sábio da corte de Constantinopla à época em que ela foi invadida pelas tropas européias. Nicetas faz um favor a seu salvador: ouve e escreve seu relato, na tentativa de contar a história de uma época.

Mas a empreitada é difícil. Baudolino é tão mentiroso que o sábio não consegue distinguir, entre o que ele fala o que é real e o que é falso. Muitas vezes o que parece real é falso e o que é falso parece real.

Baudolino é uma espécie de Forrest Gump da Idade Média. Com uma diferença: enquanto Forrest era um tolo, Baudolino é um espertalhão mentiroso.

A graça do livro está justamente aí: em ouvir uma história sem estar certo da idoneidade de quem a conta. De todos os fatos narrados, muitos são mentira e muitos são verdade, mas é impossível separa o joio do trigo.

Baudolino dá a impressão de ter sido escrito para provar uma das teses mais importantes de Eco: a obra aberta.

Na década de 60, quando o mundo das artes era sacudido por uma vanguarda pós-moderna, Eco escreveu um livro definindo o que ele chamou de Obra Aberta em oposição ao que ele chamou de discurso persuasivo, ou fechado.

O discurso persuasivo traz a mensagem pronta para o receptor. O leitor de um livro tem apenas o trabalho de descobrir o que o escritor pretendia com seu livro. Uma única leitura era a permitida.

A obra aberta revolucionava o sentido da arte forçando o receptor a ter participação ativa no processo de fruição. Assim, cada pessoa que lesse um livro ou ouvisse uma música deveria ter um entendimento próprio sobre seu significado. Já não havia mais certezas a serem desveladas. O próprio conceito de realidade é colocado em questão. Pela teoria da relatividade, cada observador teria sua própria interpretação de realidade, dependendo do ponto em que estivesse observando determinado fenômeno.

Da mesma forma, em Baudolino, realidade é o que o protagonista conta, mas ele pode estar mentindo e, assim, a realidade é relativizada. O leitor não deve confiar nem mesmo no narrador.

Mas não é necessário conhecer o conceito de obra aberta para gostar de Baudolino. Eco, como sempre, consegue transformar temas complicados (como a política medieval) em uma leitura deliciosa que envolve uma história policial, lendas medievais, uma expedição em busca do Santo Graal e até uma referência à Alexandria, cidade natal do escritor.

Outro destaque é a capa, belíssima, com impressão em prata.

Um livro para ler e reler e encontrar novos significados a cada nova leitura. 

O que aconteceu com os cientistas judeus na Alemanha?

A maioria fugiu, a exemplo de Albert Einstein, que foi para os EUA em 10 de março de 1933, logo no início do regime nazista.
A situação desses cientistas ficou bem clara em 6 de maio de 1933. Nesse dia, Max Planck, um dos cientistas mais importantes da época e pai da física quântica, teve uma reunião com Hitler. Ele queria evitar a demissão do químico Fritz Haber, de origem judia. Haber havia sido um dos principais responsáveis pelo uso de produtos químicos na I Guerra Mundial. Além disso, a técnica de fixação da amônia a partir do nitrogênio, inventada por ele, permitiu a criação tanto de explosivos quanto de fertilizantes baratos.
Planck argumentou que existiam diversos tipos de judeus, alguns valiosos e outros inúteis para a humanidade e que Haber estava entre os que eram valiosos. Hitler ficou histérico e começou a berrar, tremendo de raiva: “Se a ciência não pode passar sem os judeus, teremos que passar sem a ciência”.

Era a sentença de morte para todos os cientistas de raças indesejáveis que continuassem na Alemanha. Muitos do que fugiram para os EUA iriam contribuir para que aquele país fosse o primeiro a desenvolver a bomba atômica. 

O uivo da górgona - parte 14


14
O garoto continuava seu caminho, lenta, mas decididamente. Não demoraria para encontrar com Edgar. Então ouviu-se um barulho alto, na rua.
Edgar abriu os olhos e arriscou olhar por entre os salgadinhos.
O zumbi parara, indeciso. Por um instante, pensou continuar na mesma direção. Então houve outro barulho e ele se virou completamente, naquele movimento estranho, dos braços esticados ao longo do corpo e imóveis.
Edgar esticou a cabeça. Havia duas latas de leite caídas do lado de fora, abertas com seu conteúdo branco manchando o asfalto negro.
O rapaz foi até elas, intrigado, e ficou ali, olhando à volta por alguns instantes antes de afastar-se e sumir de vista.
Jonas se aproximou, por entre as prateleiras:

- Melhor irmos agora. 

O que era O trinfo da vontade?

É um filme-documentário realizado por Leni Riefenstahl em 1936. Ela documentou o Congresso Nacional do Partido Nazista e o fez com tal apuro estético que até hoje sua estética é padrão em muitas propagandas políticas. A produção contou com 135 pessoas e 30 câmeras.
O filme destaca a comunhão mística entre Hitler e a massa, enaltecendo-o.
O jogo de câmera, feito para destacar a grandeza do evento e a superioridade do Fuhrer são até hoje elogiados por especialistas. As tomadas de baixo, ascendendo pelos mastros das bandeiras sublinhava as dimensões colossais do evento. Travellings ao longo das formações militares acentuava a rigorosa ordem e o poder alemão. No vazio entre as formações e colunas, surge Hitler, quase como um deus ariano.
Nas primeiras sequências, o Fuhrer chega de avião, como um messias. As nuves se abrem à medida em que o avião se aproxima, como se ele abrigasse um messias.
No alto, sobre um palanque, Hitler domina o ambiente. Se ele pede aplausos, a multidão responde imediatamente. Se ele pede silêncio, todos se calam. Se a multidão interrompe sua fala com aplausos, ele sorri, satisfeito.

Partes do filme ainda hoje podem ser vistas em sites de compartilhamento de vídeo, como o Youtube.