quarta-feira, setembro 20, 2017

Gian Danton lança livro de terror na biblioteca Pública de Macapá

Um som aterrador soa pela cidade. Quem o ouve tem seu cérebro modificado e se transforma num zumbi, governado pelos instintos mais básicos e violentos do ser humano. Essa é a premissa de O uivo da górgona, livro de terror de autoria do professor roteirista de quadrinhos e escritor Gian Danton que será lançado dia 23 de setembro, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, às 16 horas.
Gian Danton, pseudônimo do professor Ivan Carlo Andrade de Oliveira, é roteirista de quadrinhos desde 1989. No começo da década de 1990 ficou famosa sua parceria com o desenhista Joe Bennett, em especial nas histórias de terror lançadas em revistas como Calafrio e A hora do crepúsculo. No ano 2000 escreveu a graphic novel Manticore, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos, além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, Galeão, é uma história de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
O uivo da górgona, embora seja literatura, tem um estilo que ecoa as tiras de quadrinhos com capítulos curtos que terminam em uma situação de suspense que é desenvolvida no capítulo seguinte: “O uivo é resultado de um apanhado de referências, desde meu interesse pelo cérebro humano e os comportamentos coletivos até narrativas como O Eternauta, do roteirista argentino Oeterheld, em que o suspense é usado como elemento fantástico”, explica Gian Danton.
Na história, pessoas que ouvem determinado som têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente instintivo.
Outra atração do projeto é a belíssima capa do desenhista paranaense João Ovitzke, pouco conhecido no meio editorial, mas dono de um traço que combinou perfeitamente com a história de terror. O livro tem 294 páginas e será vendido ao preço promocional de 25 reais.
Na ocasião também serão vendidos outros livros do autor, como o romance Galeão e o técnico Como escrever quadrinhos.

SERVIÇO
Lançamento do livro O uivo da Górgona
Onde: Biblioteca Elcy Lacerda

Quando: 23 de setembro, às 16 horas.

Super Amigos - Todas as Aberturas de (1973 a 1985)

Monteiro Lobato: Ecologista

Em 1911, com a morte do avô, Barão de Tremenbé, Lobato herda a fazenda Buquira, em Taubaté. Deixa de ser promotor para virar fazendeiro.
            Nessa época o escritor já tinha mulher e filhos. É lá na fazenda que Lobato iria recolher os causos e vivências que o levariam a produzir Urupês, sua obra mais completa. A falta do que fazer leva-o a escrever e reescrever os contos, só largando-os quando estão realmente em ponto de bala. Mas escreve pouco. Numa de suas cartas a Godofredo Rangel, chega a garantir que a vai largar a literatura par dedicar-se exclusivamente à pintura.
            É também na fazenda que Lobato escreve o artigo que seria o pontapé inicial de sua carreira literária.
            Os caboclos tinham o costume de queimar a mata para fazer sua roça. O resultado eram grandes queimadas, que desgastavam a terra, tornando-a improdutiva em pouquíssimos anos. Lobato, que tinha conhecimento do mal que as queimadas provocavam, ficou uma onça. Injuriado, queria denunciá-los à polícia.
            - Não vale a pena. - explicou o capataz. São eleitores do governo e o patrão não arranja nada.
            - Não haverá ao menos um incendiário oposicionista que possa pagar o pato?
            - Não vê? O caboclo é ali firme no governo justamente por amor ao fogo.
            Sem ter o que fazer, o fazendeiro mandou uma carta para a seção de queixas e reclamações d’O Estado de São Paulo. O jornal gostou tanto do artigo que resolveu publicá-lo fora da seção. Nascia o artigo Velha Praga. O artigo mostrava um jeca vadio, de pé no chão, incapaz de fazer qualquer coisa para melhorar sua situação, entretendo-se em queimar as florestas.  Lobato mais tarde se arrependeria desse tratamento dado ao Jeca. Mas na época o artigo explodiu como uma bomba na imprensa nacional. Foi reproduzido em quase uma centena de jornais.
            Lobato, até então um desconhecido, virou celebridade nacional. Passou a escrever artigos para o Estado para outros jornais. Certa vez, quando foi ao médico, este o tratou de duas maneiras diversas. Primeiro frio e indiferente. Depois, quando soube que se tratava de Monteiro Lobato, abriu um sorriso:
            - Aquele que escreve belos artigos no Estado?
            Embora O Estado de São Paulo tivesse uma boa gama de leitores (a tiragem era de 40 mil exemplares, razão pela qual Lobato acreditava ser lido por 80 mil pessoas), ele, certa vez, deixou de colaborar com esse jornal para escrever para um pasquim, O Povo, de 200 exemplares e 100 leitores. Tudo isso porque havia um velhinho, leitor d’O Povo, que não perdia um artigo seu.

            Nesse tempo que passa na fazenda, Lobato colabora com várias publicações. Entre elas a Revista do Brasil. É na Revista do Brasil que vão ser publicados alguns dos contos que mais tarde formariam o volume Urupês. Lobato oscila. Ora adora a vida de fazendeiro, ora reclama da inatividade. Era o pus do furúnculo literário. Pus, sim. Certa vez, quando um repórter perguntou-lhe como surgira seu primeiro livro, o escritor respondeu que lhe nascera um furúnculo que, uma vez espremido, dera no tal do Urupês.

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

terça-feira, setembro 19, 2017

Agatha Christie, o fenômeno de massa que conquistou a academia

Nenhuma outra escritora atingiu níveis de venda e excelência tão altos como a inglesa Agatha Christie. Unindo 80 romances, 19 peças de teatro e milhões de fãs no mundo inteiro, a criadora do detetive belga Hercule Poirot já vendeu 4 bilhões de livros. Hoje, 97 anos após a publicação de seu primeiro romance: O misterioso caso de Styles, ela é tema de disciplina na melhor universidade do país.
O professor Jean Pierre Chauvin é o responsável pela disciplina-optativa que iniciou em 2015 e recebeu recorde de inscritos, com três vezes mais alunos do que o máximo permitido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Chauvin, que tem uma extensa pesquisa sobre a autora, lança no próximo dia 25 o livro Crimes de festim – Ensaios sobre Agatha Christie. Segundo ele, apesar do sucesso de venda, ainda há muito pouco material de estudo aprofundado sobre a romancista disponível no país. “Ela claramente bebe da fonte de autores como Conan Doyle e Allan Poe, mas com contornos muito mais complexos do que era apenas um crime; Há uma forte ambientação descritiva, sutilezas e até mesmo conceitos freudianos nas personagens”, explica. Leia mais

A arte fantástica de Carlo Barks, o homem dos patos

Carl Barks foi o quadrinista que melhor sintetizou a magia dos quadrinhos Disney, além de ter sido responsável por criar praticamente toda a família Pato. Ao final da vida ele começou a pintar quadros com os personagens que o tornaram famoso entre os fãs. Confira algumas dessas imagens aqui.








Cinder e Ashe


Poucas vezes houve, na história dos quadrinhos, uma dupla tão afinada quanto Gerry Conway e José Luís Garcia-Lopez. E um dos melhores exemplos desse afinamento é a minissérie Cinder e Ash, lançada pela editora Abril em 1989.
Cinder e Ashe são dois “peritos em controles de danos”, o que significa que eles são aquele tipo de pessoa que você procura quando está em apuros. A história inicia com os dois resgatando uma mulher que foi sequestrada por uma gangue e se recusando a devolve-la ao marido (eles descobrem que ela era agredida pelo esposo). Em seguida são procurados por um fazendeiro que está sendo perseguido por uma misteriosa corporação econômica, que, lhe sequestrou a filha – é o caso Starger que dá título à história. Por trás dessa história há muitos mistérios e um fantasma do passado: um agente da CIA que nos EUA usava Cinder como ladra e agenciava prostitutas que foi dado como morto e agora parece ter estar de volta.
Cinder é chamada assim por seu cabelo ruivo, que lembra brasas em chamas e Ashe, que a salvou no Vietnã e seu tornou seu parceiro e guardião, é cinzas, uma referência provavelmente aos cabelos grisalhos. Além disso, os nomes simbolizam a personalidade de cada um e a forma como se complementam.
Só o desenho de Garcia-Lopez já valeria o preço da revista, mas aqui temos uma mistura perfeita de ação bem desenvolvida com aprofundamento de personagens. Conway destrincha a história por trás de cada dos dois ao mesmo tempo em que desenvolve o relacionamento entre os dois (que oscila entre o romântico e o paternal), alternando entre sequências de presente e flash back (com passagens entre uma e outra que lembram muito Watchmen).
Cinder e Ashe foi um dos melhores quadrinhos lançados em uma época em que as bancas estavam cheias de obras-primas.   

Batman


O surgimento do Super-homem foi um fenômeno de vendas sem precedentes. Logo todo editor estava pedindo a seus artistas que fizesse cópias daquele heróis. Uma dessas cópias surgiu um ano mais tarde, em 1939 e ficaria tão famoso quanto o Homem de aço: o Batman.
Bob Kane, assim como os criadores de Super-homem, era um garoto judeu que sonhava se tornar uma estrela com os quadrinhos. Seu pai era gráfico do New York Daily e conhecia um pouco do negócio (o que faria grande diferença na hora de negociar os direitos autorais).
Bob queria criar um super-herói que fizesse tanto sucesso quanto o super-homem. Acontece que ele não era exatamente um intelectual, e não conseguia escrever a histórias. Quando ele conheceu o jovem escritor Bill Finger, foi um casamento perfeito. Embora Finger pretendesse se tornar um escritor sério, ele também era apaixonado pelos pulp fiction e estava disposto a produzir qualquer coisa que lhe rendesse dinheiro.
Procurando inspiração para sua criação, Bob Kane vasculhou sua coleção de Flash Gordon e se deparou com os homens-pássaros desenhados por Alex Raymond. Ele então apresentou para Finger um herói vestido de vermelho, com asas mecânicas, chamado Homem-pássaro.
Finger achou que não era uma boa idéia. Como o personagem ia estrelar uma revista chamada Detetive Comics, ele pensava que deveria ter um ar mais soturno, uma criatura noturna, furtiva, envolta em uma capa preta. Que tal se fosse inspirado num morcego? Eles bolaram então um personagem vestido de cinza, com uma capa preta recortada, um capuz com orelhas e olhos que pareciam apenas frestas, dando um ar assustador ao conjunto. Para completar o conjunto, colocaram um morcego no peito do herói (para imitar o S do Super-homem) e lhe deram um cinto de utilidades com mil e uma bugigangas.
Os editores da National acharam o personagem perfeito para a Detetive Comics, mas Kane se negou a vender os direitos totais do personagem. Seu pai consultou um advogado e conseguiram um bom contrato que garantia muitos direitos para o desenhista. Posteriormente, quando Jerry Siegel e Joe Shuster tentaram conseguir na justiça os direitos do Super-homem, estes procuraram Bob para que ele entrasse com eles no processo. Ao invés de fazer isso, ele procurou a editora e negociou um contrato ainda melhor para ele.
Batman estreou no número 27 da revista Detetive Comics, em maio de 1939 e foi um sucesso imediato. Como Bill Finger não conseguia dar conta de todos os roteiros, Kane pediu à editora um segundo roteirista e apareceu Gardner Fox, que, na primeira história, mostrou o personagem levando um tiro. Isso definiu algo que ficaria claro nos anos seguintes: o personagem era o oposto do Super-homem. Enquanto um era a luz, o outro era as trevas. Enquanto o Super-homem vivia na ensolarada e otimista Metrópolis, Batman se esgueirava pelos becos escuros da corrompida Gothan City. Se o Super-homem era invencível e gostava de ricochetear balas em seu peito, o Batman era falível, um humano normal, que só ganhava graças à sua astúcia e ao cinto de utilidades.
Por muito tempo os leitores achavam que Bob Kane fazia todos os desenhos (a sua assinatura constava em todas as histórias), mas logo surgiram vários desenhistas fantasmas. Entre eles, Jerry Robinson, Jim Mooney e Sheldon Moldoff. Na época, Kane ficou famoso e costumava levar garotas em seus carrões para ver sua mansão adornada por uma série de quadros de palhaços pintados por ele. Dizia-se que até esses quadros haviam sido feitos por um desenhista fantasma.

Com o tempo, a descoberta de que muitas crianças liam a história fez com que fosse introduzido um parceiro mirim, o Robin. A partir de então, todo herói que se prezava tinha que ter um parceiro infantil. Geralmente eram eles que vendiam lancheiras para crianças.

Monteiro Lobato: Cidades Mortas

Em 1917, Lobato, já formado, é nomeado promotor público da cidade de Areias, no interior paulista. Areias era o que o autor mais tarde chamaria de Cidades Mortas. Vítimas das mudanças econômicas, esses lugarejos, antes prósperos, viviam em estado de lesmice patológica. Com a economia local quebrada, a maior parte dos jovens se mudara para cidades mais desenvolvidas e só ficava em Areias quem não tinha condições ou idade para a mudança.
            Numa cidade como essa, até o passeio matutino do recém-nomeado promotor público virava atração pública. As moças saiam na janela para ver Lobato passar.
            Naquela época Lobato já namorava sua futura esposa, Maria da Pureza Natividade. Ia de vez em quando a São Paulo para vê-la. As cartas escritas para ela revelam gripes, caçadas a onças, uma ou outra refrega entre vizinhos e muita saudade. Em suma, não havia o que fazer em Areias. Assim, Lobato gasta a maior parte do tempo lendo e escrevendo. Vai passando para o papel o que observa no lugarejo. São esses escritos que mais tarde formarão o livro Cidades Mortas. Nos escritos, Areia é rebatizada de Oblivion, depois Itaoca.
            Em Oblivion só meia dúzia de pessoas recebe jornais. São a intelectualidade local. Livros só há três, que passam de mão em mão. Cada um que pegava fazia questão de escrever algo. “Li e gostei”, afirmava um. Outro versificava: “Já foi lido - pelo Valfrido”.
            Cidades Mortas é cheia desses casos, entre eles o de um réu que escapou enquanto o júri permanecia horas reunido numa sala, incapaz de tomar uma decisão.
           




Príncipe Valente

    
O Príncipe Valente surgiu no do­mingo de 13 de fevereiro de 1937. O seu criador, Hall Foster, entretanto, o havia imaginado desde 1934, quando fazia as historias de Tarzan para a United Features Syndicate. Em 1936 ele ofereceu à distribuidora seu personagem medieval. Mas United queria que ele fizesse uma tira diária e, caso tivesse sucesso, passaria a uma página dominical colorida. Foster, de traço muito detalhado para tiras diárias, preferiu apresentar seu personagem à concorrente King Features Syndi­cate , a mesma que publicava o Flash Gordon de Raymond.
    A KFS aceitou na hora e, fevereiro de 1937 saia a primeira prancha de Príncipe Valente. O personagem deveria se chamar Arn, mas a distribuidora achou que Valente teria um maior impacto nas vendas. Foster aceitou, mas posteriormente deu o nome de Arn ao filho do protagonista.
    Príncipe Valente se passava numa Idade Média romântica, dos tempos do Rei Arthur. Assim, o jovem príncipe, descendente de um trono que foi tomado pelos bárbaros, vive várias aventuras até chegar a Camelot, tornando-se um dos membros da Távola Redonda. A pesquisa histórica é impressionante. Foster comprava livros e percorria museus, coletando informações sobre as roupas, costumes e arquitetura da época. Apesar de, visualmente, a história ser uma reprodução fiel do período histórico, Foster não se prendia à cronologia. Cavaleiros medievais conviviam com soldados romanos e até com dinossauros.
    Para não perder nada de seus desenhos detalhistas, Foster não usava balões. A narrativa e os diálogos eram acomodados abaixo dos quadros. Apesar disso, o autor explorou bem a linguagem dos quadrinhos, com seqüências dinâmicas poucas vezes vistas. Se o desenho está entre os melhores já surgidos nas histórias em quadrinhos, o texto não ficava atrás. Sem cair na redundância, eles complementavam perfeitamente as imagens.
A qualidade da historieta era tão notória (tanto em termos de desenho, quan­to de texto) que Príncipe Va­lente foi uma das poucas HQs poupadas pela caça aos quadrinhos da década de 50.
Príncipe Valente foi o primeiro personagem de quadrinhos a envelhecer, na proporção de um ano para cada dois anos dos leitores. Ele se casou, teve filhos e o príncipe Arn já é, hoje, mais velho do que seu pai era quando começaram as aventuras.

As pranchas de Príncipe Valente foram publicadas em álbuns luxuosos pela Editora Brasil-América – Ebal – com grande sucesso e essa coleção está sendo relançada pela Opera Graphica. Não existe colecionar sério de quadrinhos que não tenha pelo menos um livro dessa obra-prima em sua estante.

segunda-feira, setembro 18, 2017

Colecionador é um povo doido?

No século 17 houve uma mania de tulipas na Holanda. Por alguma razão, as pessoas passaram a valorizar cada vez mais as flores, a ponto de uma tulipa valer mais do que uma casa. Ninguém sabia explicar porque elas valiam tanto.Isso levou a uma bolha especulativa de, ao estourar, fez várias pessoas ficarem miseráveis. 
Para mim, quadrinhos sempre tiveram valor sentimental. As revistas que mais valorizo são aquelas que foram importantes para mim, ou que tiveram histórias muito boas, que me marcaram profundamente. Para mim, por exemplo, as edições mais valiosas de Superaventuras Marvel são a 5 (a primeira que li) e a 24 (primeira que comprei e a que iniciou a magnífica saga da Fênix Negra). 
Mas, para um colecionador, a número parece ser a mais importante de uma série, independente da qualidade ou de qualquer fator sentimental. Parece ser apenas a febre das tulipas dos quadrinhos: o valor é puramente aleatório. 
Recentemente tive um exemplo disso em um sebo ao encontrar um superalmanaque de Kripta por um valor alto. Perguntei à vendendora o porque do valor. Esperava uma resposta como: "Essa foi uma das melhores revistas de terror já publicadas no Brasil e este número especial selecionou algumas das melhores histórias" ou algo assim. Mas a resposta foi simplesmente: essa é a número 1. Detalhe: só houve dois surperalmanaques de Kripta, ambos igualmente bons, mas, pela lógica do mercado, o número 1 vale uma fortuna e o 2 vale pouco. 
Há várias revistas que foram melhorando com o tempo. A versão dos Trapalhões da Bloch, por exemplo, só se tornou o clássico dos quadrinhos que foi depois que a equipe criativa ganhou liberdade para fazer algo dentro da linguagem de quadrinhos. Os primeiros números eram simples adaptações dos roteiros da TV. Heróis em ação foi outra que se tornou um clássico com o tempo. A própria Superaventuras Marvel, provavelmente o melhor mix Marvel publicado pela Abril, só teve sua melhor fase, só construi sua identidade, depoi do número 1, em especial quando começou a publicar, simultaneamente, o Demolidor de Frank Miller, os X-men e Chris Claremont e John Byrne e outros clássicos, como a melhor fase do Pantera Negra. Mas para um colecionador, o mais valioso é o número 1. Vai entender.

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O assassinato no Expresso do Oriente


A primeira vez que soube da famosa obra de Agatha Christie foi através de um tremendo spoiller. Eu liguei a TV e a parte final da adaptação cinematográfica estava passando. Exatamente a parte em que Poirot desvenda o mistério do assassinato.
Dessa forma, demorei muito para me interessar em ler o livro. Afinal, em uma história policial, o mais importante é o desfecho. Se já conhecemos o final, o livro ainda pode trazer algum atrativo?
Para minha surpresa, sim. O assassinato no Expresso do Oriente é um tremendo livro, uma trama muito bem elaborada, com personagens marcantes e um mistério aparentemente indecifrável: um homem é assassinado em um trem e, embora haja muitas pistas, nenhuma delas parece solucionar o mistério.
Aliás, para mim, o interessante foi justamente identificar a forma genial como a autora planta pistas falsas ao longo da trama. Mais ainda: em certo ponto no final, a trama sofre uma reviravolta, uma revelação sobre cada um dos suspeitos que, ao invés de facilitar, torna ainda mais difícil destrinchar o mistério. Eu lia e pensava: que sacada!

Para quem não conhece o final, o livro deve ser ainda mais interessante. Um dos obrigatórios de Agatha Christie. 

Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

Monteiro Lobato: O Minarete

José Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Alguns anos depois modificou seu nome para José Bento, pois desejava usar uma bengala que fora do pai e que estava marcada com as iniciais J.B.M.L. Tinha duas irmãs, Judite e Ester, e brincava com brinquedos rústicos, feitos de sabugo de milho, chuchus e mamão verde.
            Esses primeiros anos influenciaram em muito a sua produção infantil. A Taubaté daqueles tempos certamente tinha um pouco do que viria a ser o Sítio do Pica-Pau Amarelo.
            Desde pequeno Lobato adorava livros. Devorou a toda a biblioteca do avô paterno, o Visconde de Tremenbé. Leu tudo que havia para crianças na época - o que não era muito. Ainda não surgira um Monteiro Lobato para escrever livros que as crianças realmente apreciassem...
            Os principais traços da personalidade do escritor já se delineavam na época. Extremamente sincero, Lobato falava o que queria, abusando da ironia e do cinismo.
            Aos 15 perde o pai, aos 16, a mãe.
            Nessa época ele estudava num colégio em São Paulo, onde fundou vários jornais, usando pseudônimos. Lobato queria ser escritor, ou pintor. Por ele, faria a escola de Belas Artes. Mas o avô queria vê-lo advogado, ou juiz. Assim, no ano de 1900, com 18 anos, o jovem escritor entra para a Faculdade de Direito de São Paulo. Lá ele faz amizade com várias outras pessoas que adoram literatura, entre eles Godofredo Rangel e o poeta Ricardo Gonçalves. Fundam o grupo literário O Minarete. Minarete era a república onde eles moravam, um chalé amarelo, chamado assim em homenagem às mesquitas maometanas. Todos eram boêmios e rebeldes.
            Em 1904 Lobato forma-se em direito e volta para Taubaté. Continuaria a ter contatos com os amigos, em especial com Godofredo Rangel, com o qual se corresponderia até o fim da vida. Todas essas cartas foram reunidas em dois livros, chamados de A Barca de Gleyre.
            Monteiro Lobato escrevia cartas como ninguém. Durante toda a sua vida, ele jamais deixou de responder as cartas dos amigos, fãs e, principalmente, crianças. Algumas dessas cartas foram reunidas em livros, Cartas Escolhidas, e Cartas de Amor, com as missivas que ele mandava para sua esposa, Purezinha, ainda na época do namoro.


domingo, setembro 17, 2017

O que é Nosferatu?


Nosferatu é o nome do primeiro vampiro de sucesso do cinema. Nosferatu – uma sinfonia de amor, foi dirigido por F. W. Murnau, na Alemanha, em 1922, e influenciou todos os filmes de terror que vieram depois dele. A história é uma adaptação não-autorizada do romance Drácula, de Bran Stocker (a viúva do escritor chegou a processar o estúdio).
O filme conta a terrível história de um simples cidadão alemão que recebe a proposta de vender um imóvel em frente à sua casa para um desconhecido morador da Transilvânia. Certo que esta negociação lhe renderá muito dinheiro, o jovem Hutter segue para o país dos ladrões e dos fantasmas, onde descobre que essa misteriosa pessoa é nada mais nada menos que Nosferatu, um vampiro. Ele compra o imóvel e segue para a cidade de Hutter atrás de sua mulher, Ellen.
Nosferatu não é galante ou sexy. Ao contrário, ele é a encarnação do mal e isso é visível em seu rosto monstruoso.
O filme inovou pelo uso da luz de sombra e por usar efeitos que depois se tornariam populares, como a aproximação da câmera para criar a noção de que algo  terrível vai acontecer.

Hoje, Nosferatu pode não provocar sustos, mas suas imagens ficam gravadas na mente, tão tenebrosas e sombrias que jamais são esquecidas.

sábado, setembro 16, 2017

A ceia dos acusados



Dashiell Hammett foi o criador do estilo policial noir. Ele foi detetive da famosa agência Pinkerton e ficava encucado com a forma pouco realista como as histórias policiais eram narradas, com detetives que resolviam tudo usando apenas a lógica. 
Ao resolver colocar no papel sua prática, acabou colocando também sua visão de mundo em que todos pareciam ter um segredo sórdido a esconder. Também foi o responsável por criar o perfil do detetive cínico, as mulheres fatais e a maioria da características do cinema noir.
Um bom exemplo do estilo Hammett é A ceia dos acusados, de 1934, no qual um ex-detetive se vê envolvido com um caso de assassinato. A secretária de um inventor é morto e este o contrata (através de um advogado) para ajudar a descobrir o assassino. Ocorre que o inventor é o principal suspeito e, como um fantasma, passa o livro todo sem que nem mesmo a polícia seja capaz de achá-lo.
Hammett é habilidoso para nos dar pistas o tempo todo (o próprio título original, O homem magro, é uma grande pistas), mas nós não prestamos atenção. Na verdade, em certo ponto o livro começa a parece óbvio demais. Tudo vai em determinado caminho... até a revelação final, que é absolutamente inesperada.
Um destaque vai para os personagens, a maioria deles totalmente corruptos e parecem estar mentindo o tempo todo. Mimi, por exemplo, é o paradigma do noir: ela mente e ao ser descoberta, inventa outra mentira, ao ver que essa segunda mentira foi descoberta, mente de novo, a ponto de não se saber quando ela diz a verdade.
Eu relutei muito tempo a ler esse livro por uma razão estilística: a tradução é de Monteiro Lobato, que tem um estilo bem diverso do de Hammett e tem fama de impor seu estilo aos autores traduzidos. Ocorre que A ceia dos acusados é um livro baseado em diálogos (ótimos, por sinal) e nisso a tradução de Lobato interfere pouco. Provavelmente o ponto negativo da tradução foi no título, que tem pouco a ver com o conteúdo.
Em tempo: o livro virou filme no mesmo ano em que foi lançado, só para dar uma ideia do impacto de Hammett sobre Hollywood. Confesso que não assisti a essa versão cinematográfica.

O que é um lobisomem?


Lobisomem é um homem capaz de se transformar em lobo. A lenda do lobisomem é muito antiga.
Na mitologia grega, o pugilista Damarco Parrásio ganhou a capacidade de se transformar em lobo após um sacrifício a Zeus.
No livro Satyricon, de Petrônio (o primeiro romance do Ocidente) fala-se de um soldado que podia se transformar em lobo após urinar sobre as próprias vestes.
O Licantropo dos gregos é o mesmo que o Versipélio dos romanos, o Volkodlák dos eslavos, o Werwolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óboroten dos russos, o Hamtammr dos nórdicos, o Loup-garou dos franceses, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul, com suas modificações fáceis de Lubiszon, Lobisomem, Lubishome; nas lendas destes povos, trata-se sempre da crença na metamorfose humana em lobo, por um castigo divino.
Na Alemanha medieval foram realizados diversos julgamentos de pessoas que saiam à noite na forma de lobos para devorar velhos e bebês.
O mais famoso desses julgamentos de licantropia aconteceu na cidade de Colônia, em 1589. Peter Stubb confessou que usava um cinto mágico para se transformar em um lobo ávido e devorador, tendo cometido muitos crimes. Para voltar à forma humana, bastava tirar o cinto. Stubb foi condenado e sua pele foi arrancada do corpo, seus membros quebrados e seu cadáver queimado até virar cinza.
Nessa época, acreditava-se que para virar lobisomem a pessoa precisava tomar uma porção com o corpo nu, envolto na pele de um lobo, numa noite de lua nova. Para voltar a se transformar em humano, bastava urinar.
No Brasil, a lenda varia de região para região. Em alguns locais, o lobisomem é o oitavo filho de uma família de sete mulheres, em outros é o oitavo filho de uma família, independente do sexo dos irmãos. Acredita-se que ele se transforma à meia-noite, durante a lua cheia, em uma encruzilhada.
Em outros locais, diz-se que é possível transformar-se em lobisomem esponjando-se onde o jumento esponjou e dizendo palavras do livro de São Cipriano.
Acredita-se que o ser transformado sai pela noite atacando pessoas, mordendo-as e comendo crianças não batizadas.
A única forma de matar um lobisomem seria atingi-lo com um artefato feito de prata, seja uma bala ou uma faca.

A cidade de Juanópolis, no interior de São Paulo, é considerada a capital brasileira dos lobisomens por causa do alto número de avistamentos registrados. 

sexta-feira, setembro 15, 2017

Arquitetura da destruição 1/10

Professor da Unifap lança livro de terror na Biblioteca Pública Elcy Lacerda


Um som aterrador soa pela cidade. Quem o ouve tem seu cérebro modificado e se transforma num zumbi, governado pelos instintos mais básicos e violentos do ser humano. Essa é a premissa de O uivo da górgona, livro de terror de autoria do professor roteirista de quadrinhos e escritor Gian Danton que será lançado dia 23 de setembro, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, às 16 horas.
Gian Danton, pseudônimo do professor Ivan Carlo Andrade de Oliveira, é roteirista de quadrinhos desde 1989. No começo da década de 1990 ficou famosa sua parceria com o desenhista Joe Bennett, em especial nas histórias de terror lançadas em revistas como Calafrio e A hora do crepúsculo. No ano 2000 escreveu a graphic novel Manticore, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos, além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, Galeão, é uma história de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
O uivo da górgona, embora seja literatura, tem um estilo que ecoa as tiras de quadrinhos com capítulos curtos que terminam em uma situação de suspense que é desenvolvida no capítulo seguinte: “O uivo é resultado de um apanhado de referências, desde meu interesse pelo cérebro humano e os comportamentos coletivos até narrativas como O Eternauta, do roteirista argentino Oeterheld, em que o suspense é usado como elemento fantástico”, explica Gian Danton.
Na história, pessoas que ouvem determinado som têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente instintivo.
Outra atração do projeto é a belíssima capa do desenhista paranaense João Ovitzke, pouco conhecido no meio editorial, mas dono de um traço que combinou perfeitamente com a história de terror. O livro tem 294 páginas e será vendido ao preço promocional de 25 reais.
Na ocasião também serão vendidos outros livros do autor, como o romance Galeão e o técnico Como escrever quadrinhos.

SERVIÇO
Lançamento do livro O uivo da Górgona
Onde: Biblioteca Elcy Lacerda

Quando: 23 de setembro, às 16 horas.

Qual o significado do mito dos vampiros?

As lendas de vampiros são muito antigas e aparecem em diversos povos. Muitas delas estão associadas ao beijo. Acreditava-se que, através do beijo, era possível roubar a vida de uma pessoa.
Alguns povos africanos acreditavam que o beijo era um ato diabólico e que a pessoa beijada teria sua alma absorvida.
Entre os astecas, o beijo simbolizava a oferta ritual de uma pessoa que seria sacrificada aos deuses.
Em muitas culturas, o sangue simboliza a vida, a paixão, o poder e a força. A cor vermelha é historicamente associada tanto ao perigo quanto ao sexo. Na época da ditadura e da censura, as revistas masculinas podiam mostrar muito pouco, os fotógrafos estouravam a cor vermelha para dar mais sensualidade às fotos. A relação com o perigo ficou claro numa campanha contra a violência no trânsito que mostrava um sinal de trânsito vermelho se transformar numa bolsa de sangue.
Assim, o ato do vampirismo é uma troca de fluídos, como o sexo, e como no sexo, o líquido trocado é ligado à vida. Mas, por outro lado, é também associado ao medo. É possível que o fascínio dos vampiros esteja justamente na associação de vida e morte, sexo e horror. Eros (deus grego do amor e do erotismo) e Thanatos (encarnação grega da morte), representam justamente essas duas facetas da realidade que parecem se unir no mito vampiresco. 

Assim, o mito do vampiro fala sobre verdades universais que são igualmente tabus e com as quais os adolescentes precisam lidar, embora muitas vezes não possa lidar diretamente com elas. 

quinta-feira, setembro 14, 2017

Steve Rude


Qual a origem da lenda do vampiro?

Alguns autores acreditam que a palavra vampiro venha do húngaro. Outros acreditam que seja mais antiga, e venha da palavra turca urbe (feiticeiro). Em todo caso, a lenda dos vampiros surgiu, no Ocidente, por volta do século XVII.
As pessoas acreditavam que os vampiros eram as almas dos suicidas e dos bandidos condenados à morte. Segundo a tradição, seus corpos não se decompunham até completarem o período de vida pré-estabelecido. Assim, eles despertavam no meio da noite e saiam em busca de vítimas para sugar-lhes o sangue. Depois de saciados, eles voltavam para o túmulo e ficavam em animação suspensa, até que a fome os levasse a matar novamente.
A imagem dos vampiros nessa época era associada a pessoas com lábios leporinos, cabelos nas palmas das mãos, olhos azuis e cabelos vermelhos.
Voltaire escreveu sobre vampiros no seu Dicionário Filosófico. Segundo ele, "Estes vampiros eram corpos que saem das suas campas de noite para sugar o sangue dos vivos, nos seus pescoços ou estômagos, regressando depois aos seus cemitérios.".
No Oriente, o mito é ainda mais antigo. Eles já aparecem na peça ¨As rãs¨, do grego Aristófanes. Essa vampira teatral era a filha de Hecate que seduzia homens para se alimentar de seu sangue e permanecer sempre bela e jovem.
Acredita-se que o mito do vampiro tenha chegado à Europa pela rota da seda, espalhando-se principalmente entre os eslavos. Nessa época, os vampiros eram fantasma de pessoas mortas, principalmente bandidos, bruxas e suicidas. Na mesma época, o cristianismo e o mito vampiresco foi se adaptando à nova crença. É quando surge, por exemplo, a idéia de que o crucifixo seria uma arma contra sugadores de sangue.
Segundo a tradição, a única forma de matar definitivamente um vampiro era descobrir o seu túmulo e enfiar uma estaca em seu coração.

Durante séculos os vampiros eram nada mais que monstros. A imagem do vampiro sexy só surgiria depois, com o romance Drácula, de Bran Stocker. 

Flash Gordon


Buck Rogers, Dick Tracy e Tarzan causaram uma verdadeira revolução nas histórias em quadrinhos. O clima de aventura, o desenho realista e os cenários gran­diosos conquistaram os leitores.

Já não havia mais lugar para as tiras cômicas e um dos maiores syndicates da época, o King Features Syndicate entrou em desespero: Fazia-se urgente encontrar alguém que trabalhasse tão bem com a aventura quanto a con­corrência.

Para isso foi instituído um concurso interno. Quem acabou ganhando foi um ex-oficce-boy da empre­sa. Seu nome era Alex Raymond e seu personagem era Flash Gordon, um dos maiores sucessos da época.

          A história estreou num domingo, 7 de janeiro de 1934. Os leitores americanos abriram seus jornais e tive­ram um grande impacto. Lá es­tava um herói novo, diferente de todos os outros que o haviam an­tecedido. Era a primeira história de Flash Gordon, de Alex Ray­mond. De lambuja, vinha como complemento o personagem Jim das Selvas - também com dese­nhos de Raymond.

Flash Gordon veio para re­volucionar o conceito de aventu­ra. Nela predominava a imaginação: moças bonitas, homens-leão, povos submarinos, princesas estelares, vilões insa­nos e um herói ariano (exemplo perfeito de conduta e boas inten­ções) conviviam numa mesma pagina.

Flash Gordon não para­va. Mal conseguia se livrar de monstros pré-históricos e caia nas mãos de um imperador tirâ­nico. Era como se estivesse pas­sando por um eterno teste de provas.

A historieta - que tinha ro­teiros anônimos de Don Moore - tornou-se um sucesso absoluto de vendas. O traço forte e elegante de Raymond conquistou os leitores e conseguiu dar ao personagem uma imponência que ninguém nunca mais conseguiu.

Flash Gordon surgiu para concorrer com o grande campeão de vendas da época, Buck Ro­gers, mas com o tempo, Flash ultra­passou de longe o seu concorrente do século XXV. Praticamente junto com Flash Gordon, Raymond desenhou dois outros persona­gens nos moldes dos que já faziam sucesso na época: Jim das Selvas (baseado em Tarzan) e Agente Se­creto X-9 (para concorrer com Dick Tracy).

“Agente Secreto X-9” era de autoria do famoso escritor policial Dashiel Hammet e transmitia o clima de tensão que os gángsters impri­miam aos anos 30. Detalhe: esse trabalho de Hammet geralmente não aparece nas biografias do es­critor.

Já Jim das Selvas era, a principio, uma espécie de aventureiro, um caçador intrépido enfrentan­do todos os perigos da selva. Com o tempo, Jim começou a se envol­ver em tramas internacionais, mas nem por isso perdeu sua força.

Alex Raymond foi um dos maiores desenhistas dos quadri­nhos. O seu traço elegante in­fluenciou toda uma geração. Os seus persona­gens, entretanto, não tiveram muita sorte.

Depois da morte de Raymond, no final dos anos 40, Flash Gordon ainda passou por um bom momento no início da década seguinte nas mãos de Dan Barry (desenhos) e Harvey Kurtzman (roteiro). Mas, assim que Kurtzman saiu do roteiro a história perdeu muito do caráter onírico que tinha no início.

O grande seguidor au­têntico de Raymond a ilustrar seus personagens  foi All Williamson, que desenhou três números da revista do Flash Gordon e a tira do Agente Secre­to X-9 durante 13 anos.

Além do ótimo desenho e das tramas de matinê, terminando sempre em suspense, Flash Gordon é lembrado também pelas antecipações. Foi nessa história em quadrinhos que apareceu pela primeira vez a mini-saia, o raio laser e o forno microondas. Em um de seus boletins oficiais, a NASA admitiu que os quadrinhos do personagem foram usados para solucionar problemas de aerodinâmica dos primeiros foguetes espaciais norte-americanos.

Flash Gordon também foi a grande fonte de inspiração para outra grande saga moderna: os filmes da série Star Wars. Como não conseguiu autorização para filmar o personagem, George Lucas criou a série Guerra nas Estrelas baseada em Flash Gordon.

quarta-feira, setembro 13, 2017

A copa de 82


O futebol no Brasil é uma espécie de obrigação nacional. Eu, embora não desdenhe do esporte, evito jogar para não provocar brigas entre amigos. É que, quando eu era criança, nas aulas de educação física, os times sempre brigavam por mim: 

– Você fica com ele! 
– Está doido? Prefiro ficar sem goleiro! 

Logo o professor dessa emérita disciplina descobriu que a melhor forma de lidar com esse problema era me deixar no banco de reservas (às vezes eu levava um livro para passar o tempo e ficava lá, lendo, sob o olhar aliviado dos companheiros). 

Então eu nunca tive muita razão para gostar de futebol, não sei data de jogos, não sei quem são os jogadores e sempre me espanto ao descobrir que o Corinthians, que estava em crise (o próprio presidente disse isso em um discurso), depois era campeão e agora está em crise de novo, num período de tempo que me parece muito pequeno. Isso, aliás, me dá a impressão de que o futebol muda mais que a ciência e a filosofia. Heráclito, para quem tudo está em constante mutação, devia ser técnico de futebol.
Mas, embora eu não goste de futebol, assisto a todos os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. Na última Copa eu acordava de madrugada e ficava lá, torcendo e gritando de alegria quando um jogador marcava um gol. 
Esse comportamento anômalo tem uma origem remota, na Copa de 1982. Qualquer um que tenha passado pela Copa de 82, por mais que não goste de futebol, bate ponto na Copa do Mundo.
Eu tinha apenas 11 anos na época e minha memória já não é mais a mesma, mas lembro que havia toda uma mística sobre a seleção. Dizia-se que era a melhor equipe de craques já reunida. Uma seleção de reis tendo como imperadores Sócrates e Zico. No imaginário popular, esses dois só perdiam para Pelé. Era a seleção canarinho, 120 milhões em ação. A música cantada por Júnior vendeu 600 mil cópias e era lembrado de cor por todos os garotos:

Voa, canarinho, voa
Mostra pra este povo que é rei
Voa, canarinho, voa
Mostra na Espanha o que eu já sei

Verde, amarelo, azul e branco
Formam o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
Amarelo, azul e branco
Fazem meu povo feliz

E o meu povo
Toma conta do cenário
Faz vibrar o meu canário
Enaltece o que ele faz

Bola rolando
E o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aqui e quero mais.


A empolgação era tanta que, antes e depois dos jogos eu e um amigo, igualmente perna-de-pau, arriscávamos uma pelada na rua. Isso, claro, antes de começar a transmissão. Nessa hora, todo mundo grudado na TV, o coração a mil.



Na época eu não podia perceber isso, mas hoje acredito que a esperança no escrete canarinho não era só futebolística. O Brasil estava saindo, muito lentamente, de uma Ditadura e começava a vislumbrar uma era de liberdade e isso era, de certa forma, repassado para o futebol. Se a vitória na Copa de 1970 servira aos militares, a Copa de 1982 serviria à democracia. 
E as perspectivas eram as melhores possíveis. A seleção de craques e o futebol arte de Telê Santana fez 2 a 1 na União Soviética, 4 a 1 na Escócia, 4 a 0 na Nova Zelândia e 3 a 1 na Argentina. As goleadas empolgavam a torcida e na escola não se falava em outra coisa. Era impossível não acreditar que o Brasil seria campeão! 
O próximo adversário era a Itália, uma equipe que na primeira fase empatara todos os jogos numa chave fraca com Peru, Polônia e Camarões (estreante na Copa e um país pobre, que logo angariou a simpatia dos brasileiros) e só passara para a segunda fase graças ao saldo de gols. 
Seria moleza. Mas não foi. Paolo Rossi fez a diferença e três gols. O Brasil, irreconhecível, só conseguiu colocar a bola na rede duas vezes. 
Para quem já se achava campeão, foi um balde de água fria. Lembro que o Jornal Nacional inteiro daquela noite foi sobre a derrota da seleção. A televisão mostrava imagens das pessoas chorando na rua e de fato, aonde eu ia, encontrava pessoas cabisbaixas, tristonhas. 
A esperança na Copa, que àquela época se misturava com a esperança de democracia e de dias melhores, acabara nos pés de Paolo Rossi.
A partir daí, embora eu não gostasse de futebol, continuei acompanhado religiosamente as Copas do Mundo. Mas, nunca, nunca uma Copa foi tão emocionante quanto aquela. Como um amor que não se realiza, e por isso é o melhor de todos, a seleção de 1982 ficará eternamente marcada como a melhor de todas.